19/04/2010 às 09h21min - Atualizada em 19/04/2010 às 09h21min

Placebo volta menos sombrio, mas não menos interessante

A banda britânica Placebo fez neste sábado (17), em São Paulo, o último show brasileiro da turnê do álbum "Battle for the Sun", seu sexto em 16 anos de carreira. Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte também tiveram apresentações. A terceira vinda do grupo ao Brasil (as anteriores foram em 2005 e 2007) trouxe como novidades o baterista Steve Forrest, que toca com o Placebo desde 2008, e o tom menos sombrio das canções do novo CD, as quais dominaram o repertório -- nove, de um total de 20 músicas.

A fascinação do vocalista, guitarrista e compositor Brian Molko por personagens e comportamentos do submundo permanece intacta (ele ainda usa lápis nos olhos, apesar dos 37 anos e de ter um filho para criar), mas faixas como "For What it's Worth" e "Ashtray Heart", que abriram o show (às 22h, pontualmente), possuem arranjos e melodias mais a menos, e no caso da segunda um refrão grudento e festeiro.

Naturalmente, Molko atraiu a maior parte das atenções. Sua voz peculiar, meio enjoada, até hoje divide opiniões -- mas ele é dos poucos vocalistas que se sai tão bem ao vivo quanto em estúdio, e não tem nenhum medo de buscar as notas mais distantes, nem que para isso tenha de fazer careta. Já Forrest, "vestido" da cintura para cima apenas de tatuagens, teve uma performance à bateria que impressionou pelo vigor e pela entrega. O magríssimo baixista Stefan Olsdal, o outro fundador do Placebo, acabou ficando mais de canto. Dentre os músicos de apoio (que chegam a prover segunda e terceira guitarras em algumas músicas), o destaque foi a multiinstrumentista Fiona Brice, aos teclados e, principalmente, ao violino elétrico.

Todo mundo apareceu trajando preto ou branco, ou preto e branco. Como decoração do palco, apenas um telão mostrando imagens aleatórias. O som, como de hábito, começou embolado e só melhorou depois de pelo menos 30 minutos de show.

A aceitação das canções de "Battle for the Sun" foi muito boa. O Placebo chegou a tocar cinco delas em sequência -- "Breathe Underwater", "Julien", "The Neverending Why", "Bright Lights" (uma das melhores do grupo) e "Devil in the Details" -- e o entusiasmo da plateia não diminuiu nem por um segundo. No entanto, foram os hits antigos e brutos que extraíram as reações mais passionais.

Menção especial para "Every You Every Me", na primeira metade do show, e o áspero quarteto final formado por "Meds", "Song to Say Goodbye", "Special K" (a única faixa do excelente CD "Black Market Music" tocada antes do bis) e "The Bitter End". Em comum, todas têm guitarras cortantes, refrões fortes e letras do tipo sexo, drogas e deu-tudo-errado-entre-nós.

Molko falou pouco com o público, e quando falou foi em inglês. Em termos de interação, aliás, o máximo que o Placebo fez foi puxar o "para-pa pararará" de "Special K". Mas o jogo já estava jogado: só havia fãs no Credicard Hall apenas semicheio. É verdade que faltaram algumas músicas-chave da carreira da banda, como "Bruise Pristine", "Pure Morning" e "Protect Me From What I Want". Mas o show foi uma espécie de festa entre amigos, animada por uma das melhores e mais originais bandas de rock dos últimos 20 anos.

Lista completa das canções:

For What it's Worth
Ashtray Heart
Battle for the Sun
Soul Mates
Speak in Tongues
Following the Cops Back Home
Every You Every Me
Special Needs
Breathe Underwater
Julien
The Neverending Why
Bright Lights
Devil in the Details
Meds
Song to Say Goodbye
Special K
The Bitter End

Bis:
Trigger Happy
Infra-Red
Taste in Men

Fonte: musica.uol.com.br

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