26/03/2010 às 10h09min - Atualizada em 26/03/2010 às 12h15min

Aliados de Obama recebem ameaças após reforma da saúde

Escritório de deputada democrata foi apredrejado; FBI investiga vazamento de gás

foto: Foto por Getty Images/25.mar.2010/AFP
Parlamentares democratas  que apoiaram a reforma de saúde proposta pelo presidente Barack Obama nos Estados Unidos tiveram de chamar a polícia e o FBI depois que membros da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) receberam violentas ameaças de morte e mensagens obscenas.
O líder do governo na Câmara, Steny Hoyer, disse que mais de dez deputados democradas reportaram incidentes desde a votação de domingo, alguns descritos como "muito sérios", sem dar mais detalhes.
Obama deve viajar para Cedar Rapids, Iowa, nesta quinta-feira, para um evento que tratará dos benefícios das mudanças na saúde.
Alguns oponentes da reforma ameaçaram usar de violência, forçando diversos deputados s ampliar sua segurança, enquanto uma democrata afirmou que tijolos foram jogados contra as janelas de seu escritório.
O deputado de Michigan, Bart Stupak, - que fechou um acordo com os democratas conservadores para que o sistema de saúde não cobrisse abortos, abrindo o caminho para a aprovação da reforma - recebeu um fax no qual estava escrito: "todos os assassinos de bebês vão morrer pelas mãos do homem ou pelas mãos de Deus".
O tom abusivo de algumas das mensagens, assim como alguns incidentes envolvendo violência abalaram os legisladores que se preparam para voltar para seus Estados neste fim de semana, para o recesso de primavera.

FBI investiga vazamento de gás na casa do irmão do deputado

O escritório de Stupak recebeu uma mensagem por telefone na qual um homem declarava: "seu assassino de bebês filho da mãe. Seu pedaço de merda. Espero que você sangre muito, tenha câncer e morra."
O FBI está investigando um vazamento de gás na casa do irmão do deputado, e a polícia do Capitólio (como é chamado o Congresso) orientou os deputados sobre quais medidas deveriam tomar para manter-se em segurança, segundo uma fonte do FBI, que se pronunciou:
- Nós recebemos a informação de que um congressista pode ter sido ameaçado e essa foi a razão pela qual fomos à casa do irmão dele.
O líder do governo, Steny Hoyer, garantiu que o Congresso vai garantir a segurança dos ameaçados:
- Qualquer membro da casa que se sentir em risco terá atenção das autoridades. Essa atitude é inaceitável na nossa democracia.
A deputada de Nova York Louise Slaughter afirmou em um comunicado que alguém jogou um tijolo contra a janela de seu escritório. Ela disse ainda ter recebido um recado por telefone citando franco-atiradores.
Uma emissora de TV Rochester, divulgou a mensagem deixada na secretária-eletrônica da deputada novaiorquina, citando o seguinte:
"Assassinato' foi a palavra que eles usaram contra os filhos dos deputados que votaram pelo 'sim'".
"A polícia do Capitólio, o FBI e os agentes locais estão cientes desses incidentes e ainda estão investigando", afirmou a deputada em comunicado.

Oposição republicana condena ameaças

O líder da minoria republicana (oposição), John Boehner, afirmou que muitos americanos estavam "nervosos" com a reforma da saúde, mas declarou que "violência e ameaças são inaceitáveis".
- Isso não é o jeito americano (de lidar com as coisas). Nós precisamos pegar essa raiva e canalizá-la para mudanças positivas. Ligue para seu congressista, vá para as ruas e peça às pessoas que votem, seja voluntário de uma campanha política, faça sua voz ser ouvida - mas faça do jeito certo.
O democrata James Clyburn pediu que todos os parlamentares de todos os partidos mandassem uma mensagem única dizendo que tais ameaças eram inaceitáveis.
- Nós, nesse Congresso, temos que nos unir e derrubar essa idiotice. Não faz sentido. Democracia não é isso.
Depois da votação da reforma de saúde, o blogueiro conservador Solly Forell passou a ser investigado pelo serviço secreto por publicar ameaças contra Obama no microblog Twitter.
"Assassinato da América. Nós sobrevivemos ao assassinato de Lincoln e Kennedy. Nós precisamos de uma bala para a cabeça de Barack Obama", escreveu.
Forell deletou posteriormente a mensagem publicada e escreveu:
"Vamos renunciar à dura retórica usada contra o presidente. Muitos, inclusive eu, usaram linguagem inapropriada. Vamos ser civilizados!".

Fonte: AFP

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