26/03/2010 às 09h45min - Atualizada em 26/03/2010 às 12h23min

Casal Nardoni chora, mas se contradiz

Alexandre Nardoni muda versão que havia dado à polícia sobre fatos da noite em que a filha morreu

foto: Helvio Romero/AE
São Paulo - No dia mais esperado do julgamento de Anna Carolina Jatobá, 26, e Alexandre Nardoni, 31, os dois voltaram a negar que mataram Isabella, referiram-se a ela com palavras carinhosas, como “Isa”, e choraram. Mas, por algumas vezes, caíram em contradição.

Em depoimento de quase cinco horas, Alexandre deu uma versão, até então inédita, do momento em que olhou pela janela do prédio onde morava e viu que Isabella – que morreu em março de 2008, após ser esganada e jogada do 6.º andar – estava lá em baixo. Ele disse que, ao olhar pela tela cortada, segurava um de seus filhos, que na época tinha três anos de idade.
Ontem, a perita Rosângela Monteiro afirmou que as marcas encontradas na camiseta de Alexandre só poderiam ser produzidas por uma pessoa que segurava um peso de 25 quilos, equivalente ao de Isabella. Isso, para ela, é uma das principais provas que indica que Alexandre arremessou a própria filha.

Ao contrário do que registra o relatório de seu depoimento à polícia, Alexandre afirmou também que, na noite do crime, não trancou a porta do apartamento ao deixar Isabella no quarto e voltar para buscar os filhos no carro. Ele afirmava inicialmente que tinha trancado e que alguém devia ter a cópia da chave do apartamento.

O acusado também afirmou que na noite do crime não relatou que havia ladrão no apartamento – como dizia a todo momento naquele dia, segundo relato de pelo menos seis testemunhas, de acordo com versão da delegada Renata Pontes. “O que falei é que tinha alguém no prédio”, ele disse. Hoje, no entanto, a delegada afirmou que Nardoni perguntou a ela se a polícia já havia achado o ladrão.

Nardoni parecia calmo no depoimento. Falou pausadamente e respondeu as perguntas de maneira firme. Ao ver a mãe no plenário, que ainda não tinha assistido ao julgamento do filho, ele chorou. Em pelo menos 30 ocasiões, respondeu aos questionamentos da promotoria com a frase: “Não me recordo’’.

Nardoni chorou por várias vezes. Já no início de seu depoimento, afirmou que tudo o que constava na denúncia da promotoria era “falso”. “Aquilo para mim foi o pior dia, perdi o que tinha de mais valioso na minha vida”, afirmou o réu. Mais tarde, disse que foi ele quem evitou que a filha fosse abortada. “Eu, que briguei tanto para ela (Isabella) nascer, briguei com minha sogra que queria que a Ana Carolina (Oliveira, a mãe da menina) abortasse”, afirmou.

Jatobá

O interrogatório de Jatobá chamou a atenção pela forma acelerada com que ela falava. Por mais de dez vezes, em um intervalo de uma hora, o juiz Maurício Fossen pediu para que ela desse uma pausa em sua fala, para que os responsáveis pela taquigrafia não se perdessem.

Jatobá disse também que exagerou no passado quando registrou boletins de ocorrência que denunciavam o pai dela, Alexan­dre Jatobá, por agressão. “Muitas coisas eu acabei aumentando, mas de fato ele me bateu. Me arrependi depois de ter feito os B.O.s.”

“O maior problema não é a contradição entre os depoimentos dados à polícia e no júri”, afirma João Ibaixe Jr., advogado criminal e membro da OAB. “O problema é quando existe contradição entre os depoimentos e as provas periciais”, disse Ibaixe Jr. à reportagem.

Para ele, o caso, desde o início, apresenta algumas falhas técnicas. “A reconstituição do crime, por exemplo, ocorreu em horário diferente de quando ocorreu o crime”. Na visão do advogado, o casal está sendo prejulgado, inclusive por atos da própria polícia e do Minis­tério Público. “Os jurados estão iso­lados nesta semana. Mas é impossível separar as informações que eles receberam antes”, diz.

Acareação

Ana Carolina de Oliveira foi dispensada pela justiça na manhã de ontem. Ela estava à disposição para uma eventual acareação desde quando depôs, na segunda-feira. Segundo o juiz Maurício Fossen, um psiquiatra do Estado avaliou a mãe de Isabella e constatou que ela não tinha condições de ficar cara a cara com os réus, por estar sob alto nível de estresse. Acusação e defesa concordaram com a liberação.

fonte: Gazeta do Povo.

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