24/03/2010 às 08h25min - Atualizada em 24/03/2010 às 11h01min

No 2º dia de júri do casal Nardoni, laudos, maquetes e fotos são apresentados

Três testemunhas prestaram depoimento nesta terça-feira (23). Durante exibição de fotos de Isabella, avó materna deixou sala do júri.

Três testemunhas foram ouvidas no segundo dia de julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados da morte de Isabella Nardoni, em março de 2008. Durante os depoimentos, maquetes do edifício London e do apartamento do casal acabaram utilizadas. Os jurados também viram fotografias da menina após a morte. Nesse momento, a avó materna de Isabella, que acompanhava o júri da plateia, deixou a sala onde ocorre o julgamento, no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo.
Ainda faltam ser ouvidas mais de dez testemunhas, entre elas a perita Rosângela Monteiro, do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa, que fez o laudo sobre a cena do crime. Ela será a próxima convocada. O advogado de defesa do casal, Roberto Podval, comentou ao fim do segundo dia sobre a demora. "Não é bom para a defesa a demora. A defesa é a última que fala. Os jurados vão estar cansados. Amanhã [quarta-feira] vamos decidir como acelerar."
O promotor Francisco Cembranelli ficou irritado com o que entendeu como tentativa da defesa de desqualificar o trabalho da Polícia Civil e da Polícia Técnica. “Eu não vejo atraso nenhum. O que quero é esclarecer os jurados, mostrar toda a prova como todos assistiram há dois anos e meio. Essas pessoas vêm sendo criticadas por gente que não entende nada de nada. Isso ficou categoricamente demonstrado no dia de hoje [terça-feira]", afirmou.
Nesta terça (23), o julgamento começou às 10h05 (com atraso, em razão da montagem das maquetes) e terminou por volta das 19h30. As três testemunhas que prestaram depoimento foram: a delegada Renata Pontes, o médico-legista Paulo Sergio Tieppo Alves e o perito baiano Luiz Eduardo de Carvalho. A previsão é que o júri seja reiniciado nesta quarta (24), às 9h.
A pedido da defesa, a bancária Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella, segue à disposição da Justiça. Ela deve permanecer no fórum, incomunicável, até a realização de uma possível acareação com os réus. Segundo o promotor, ela passou mal durante sua primeira noite no fórum. 

Primeiro depoimento

A primeira testemunha a depor nesta terça foi a delegada Renata Pontes, que indiciou o casal. Em seu depoimento, que durou cerca de 4 horas, ela afirmou ter “100% de certeza” de que Anna e Alexandre foram os responsáveis pela morte da menina e detalhou sua atuação na noite do dia 29 de março de 2008.
Ela contou que foi ao edifício e viu Isabella caída no jardim do prédio. “Ela parecia um anjinho”, afirmou a delegada. Ao ouvir a frase da delegada, os avós maternos da menina, que acompanham o julgamento, começaram a chorar. Abalada, Rosa Oliveira chegou a soluçar e recebeu um copo d’água.
A delegada disse no júri que na noite da morte da criança chegou a entrar no apartamento do casal, mas negou ter tocado nos objetos do apartamento. Já na entrada da residência ela disse ter percebido gotas de sangue no chão.
Após conversar com um morador que havia ligado para a polícia, a policial foi abordada por Alexandre, que questionou se ela havia “prendido o ladrão”. Ele também pediu para entrar no apartamento “para pegar umas roupas”, mas foi proibido de fazer isso.
A certeza da culpa do casal veio após a constatação de que a menina foi agredida antes de cair da janela. Dessa forma, ela descartou morte acidental e latrocínio (roubo seguido de morte), duas versões sustentadas pela defesa.
Renata rebateu a tese da defesa que afirma que a polícia seguiu apenas uma linha de investigação. Em dado momento, o promotor Francisco Cembranelli perguntou se ela havia pressionado ou ofendido o casal. Ao ouvir a resposta negativa, Alexandre e Anna balançaram a cabeça, em sinal de reprovação.
Para auxiliar na apresentação da versão da delegada, Cembranelli lançou mão da maquete. Em pé, ela indicou aos jurados os pontos do apartamento onde encontrou as marcas de sangue: além da entrada, apontou o corredor e depois o lençol no quarto dos irmãos de Isabella.
Questionada pelo advogado Podval sobre detalhes da investigação, Renata endossou os laudos da perícia. Ela disse que não pediu que fosse feito o exame na chave que pode ter causado o ferimento na testa de Isabella, pois o machucado era superficial.
Renata negou que os policiais que estiveram no apartamento do casal na noite da morte de Isabella tenham comido ovos de Páscoa das crianças que estavam em um armário. O advogado Antonio Nardoni, pai de Alexandre, afirmou várias vezes que os policiais mexeram na cena do crime.
Após o depoimento, Podval pediu ao juiz para que a delegada ficasse à disposição da Justiça. Como ocorrido com a mãe de Isabella, o juiz aceitou o pedido e a delegada permanecerá isolada durante o júri.

Segundo depoimento

Após um recesso para o almoço, o julgamento do casal Nardoni foi retomado às 15h45. O médico-legista Paulo Sergio Tieppo Alves foi a segunda testemunha a ser ouvida na sessão. Alves detalhou todo o processo de necropsia.
O promotor Francisco Cembranelli fez perguntas específicas ao legista para tentar frisar pontos que eliminassem dúvidas sobre o que considera um crime. Questionou, por exemplo, a presença de marcas de unhas na nuca e lesões na boca e no rosto. Segundo ele, esses detalhes comprovam que houve esganadura.
O médico-legista contestou a ideia de que houve falha na certidão de óbito, em que consta causa nao identificada de morte. De acordo com ele, a maioria dos registros expedidos pelo Instituto-Médico Legal (IML) sai com essa informação até que todos os exames estejam prontos.
O médico ainda atacou um dos argumentos da defesa. De acordo com os advogados de Anna Jatobá e Alexandre Nardoni, a tese de esganadura é frágil, porque o osso que fica entre o pescoço e a mandíbula não se rompeu. Tieppo Alves, no entanto, disse que em crianças com a mesma idade de Isabella esse osso é flexível como uma cartilagem.
A avó materna de Isabella, Rosa Oliveira, deixou a sala assim que o médico-legista exibiu fotos do corpo da garota morta. Ao ver as imagens da menina, ela virou o rosto e ficou muito nervosa. Logo depois, abandonou a sala. E só voltou minutos depois.


Terceiro depoimento

O perito criminal baiano Luiz Eduardo de Carvalho Dória foi o último a ser ouvido na noite desta terça-feira (23). Arrolado pela assistência de acusação, o perito analisou manchas de sangue encontradas na cena do crime, como em lençóis no quarto de onde Isabella caiu na noite de 29 de março de 2008.
Segundo ele, “existem padrões de mancha que permitem estabelecer a altura” da qual ela caiu. De acordo com ele, pela análise é possível concluir que as gotas no local do crime caíram de uma altura superior a 1,25m. Ele também falou sobre o trabalho de uma perita baiana, contratada pela defesa, cujo parecer técnico consta do processo. Segundo ele, o trabalho é uma distorção do trabalho feito por ele.
Com relação a isso, uma das advogadas de defesa do casal, Roselle Andrade Soglio, afirmou “que o trabalho da doutora Delma (Gama) foi desconsiderado por completo” pelos novos defensores do casal, que entraram no caso depois que este parecer já constava do processo.
A advogada perguntou sobre outras manchas que constam do processo e o perito analisou-as próximas aos jurados. Ele chegou à conclusão de que as manchas também caíram a uma altura superior a 1,25m. Uma jurada fez uma pergunta ao perito - se era possível dizer se as manchas nos lençóis foram produzidas em movimento ou parado. Ele respondeu que foram em movimento.

Fim do dia

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá Anna Carolina Jatobá deixaram o Fórum de Santana por volta das 20h10. Os dois deixaram o local em carros da Secretaria da Administação Penitenciária (SAP) em comboio. Eles voltarão a dormir em penitenciárias da capital. Alexandre Nardoni passará a noite do CDP de Pinheiros e Jatobá na Penitenciária Feminina da capital, como na noite de segunda.
O casal permaneceu calmo durante o júri. Mas pouco antes do fim do segundo dia de julgamento, os dois já davam sinais de cansaço. Jatobá quase cochilou.
Para a sessão, ambos trocaram o tradicional uniforme de detentos (camiseta branca e calça cáqui) por roupas leves: Alexandre vestiu uma camisa pólo listrada azul e branca, calça jeans e tênis preto; Anna, por sua vez, usou uma camisa branca, calca jeans e uma sapatilha.

Personagens

A autora de novelas Glória Perez acompanhou o segundo dia de julgamento. Ao deixar o Fórum de Santana, por volta das 20h, ela comentou os depoimentos. “Eu acho que as testemunhas confirmaram de uma maneira contundente tudo aquilo que a acusação vem dizendo desde o início do caso”, afirmou.
Ela disse que um julgamento como esse “é muito pesado”. Por isso, decidiu ir ao local dar uma força à família da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira.
A escritora Ilana Casoy, autora do livro “O Quinto Mandamento”, que trata do assassinato do casal Marísia e Manfred von Richthofen, também assistiu ao segundo dia do júri. Segundo a assessoria da escritora, ela pretende escrever um livro sobre júri do casal Nardoni, acusado de matar Isabella.

fonte: G1

 

 


 


 

 

 


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