18/03/2010 às 10h06min - Atualizada em 18/03/2010 às 10h06min

Em luto, igreja de Glauco deve escolher substituto

Céu de Maria ficará fechada para novos integrantes até o mês que vem

foto: Juvenal Pereira
A Céu de Maria, igreja que até a semana passada era liderada pelo cartunista Glauco Villas Boas -assassinado na sexta-feira (12) junto de seu filho Raoni -, aos poucos retoma sua rotina. A chácara onde ficava a sede do culto, em Osasco, na Grande São Paulo, que também serve de moradia de outras dez pessoas, segue com suas atividades normais. O calendário de trabalhos será mantido, apenas com uma mudança: não será permitida a entrada de novatos.
A reportagem do R7 esteve na quarta-feira (17) na igreja e ouviu de dois frequentadores que preferiram não se identificar que apenas pessoas "fardadas" - fiéis com o uniforme da igreja - poderão entrar na chácara. Se não fosse pelo luto do cartunista, a atividade seria aberta a qualquer interessado, contaram esses membros da Céu de Maria na porta da chácara.
A previsão é de que o período de luto termine no mês que vem. Os fiéis dizem que esta é uma forma de respeitar a família, ainda muito abalada com o crime. Até lá, um substituto para liderar o culto deve ser escolhido. Questionados sobre o assunto, os frequentadores disseram que isso se dará “naturalmente” e “sem pressa”.
Quase uma semana após os assassinatos de Glauco e Raoni, a rotina dos moradores da chácara segue quase a mesma de antes da tragédia. A diferença é que agora uma equipe de policiais à paisana ronda a região. Na manhã de quarta-feira, dois policiais cumpriam essa tarefa na porta principal de entrada do local. Por volta das 11h15, a reportagem do R7 viu uma viatura da Polícia Militar passando pela estrada Alpina. O mesmo carro parou por alguns instantes na porta da sede da igreja e trocou informações com a equipe à paisana.

Moradores relatam clima de medo

Vizinhos do bairro Santa Fé, onde a sede da Céu de Maria está localizada, relatam ter ficado com medo após os assassinatos. Apesar disso, dizem que não abandonaram seus afazeres. O dono da chácara Santo Antônio, José da Silva, que fica a cerca de cem metros da Céu de Maria, conta que, depois do crime, a presença policial passou a ser constante.
- Não adianta muito fazer isso depois que o crime já aconteceu, mas é bom. O ideal seria se eles criassem uma rotina de passar de vez em quando por aqui.
O eletricista Luis Antônio Alves, que também mora na região, conta que ficou com medo de algo parecido ao que ocorreu com Glauco acontecer com ele, mas diz não ter opção.
- Tem que pegar a estrada toda hora, não tem jeito. Se não como vou fazer para ir ao mercado?
Tanto Silva quanto Alves desconheciam o trabalho de Glauco. Para eles, o cartunista era "recluso". Silva diz que o conhecia apenas de vista.
- Pela quantidade de policiais e repórteres vindo aqui, devia ser alguém bem famoso, né?

fonte: R7

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