15/03/2010 às 10h12min - Atualizada em 15/03/2010 às 10h12min

'Tenho o vírus da paz desde o útero de minha mãe', diz Lula

Presidente discursou em seminário para empresários em Israel. Ele se oferece como interlocutor nas negociações de paz no Oriente Médio.

Foto: G1
Em um seminário com a presença de empresários brasileiros e israelenses, o presidente Lula defendeu nesta segunda-feira (15), em Jerusalém, que a aproximação com Israel deve ocorrer não apenas no campo político, mas no âmbito econômico - principalmente no setor de tecnologia.
Para os empresários, Lula voltou a se apresentar como candidato a interlocutor nas negociações de paz no Oriente Médio. Em um determinado trecho do discurso, já falando de improviso, arrancou gargalhadas da platéia.
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Eu acho que o vírus da paz está comigo acho desde quando eu ainda estava no útero da minha mãe. "Eu acho que o vírus da paz está comigo acho desde quando eu ainda estava no útero da minha mãe", disse Lula. "Não me lembro o dia que eu briguei com alguém. Já fiz muita disputa política, pertenço a um partido muito complicado, temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa no mundo", completou o presidente, repetindo um comentário que já pronunciou outras vezes.
Segundo ele, foi essa característica que permitiu manter bom relacionamento com diferentes chefes de governo. Citou nominalmente o ex-presidente americano George W. Bush, o boliviano Evo Morales e o paraguaio Fernando Lugo. Não mencionou nem Barack Obama nem Hugo Chávez.
Sobre Morales, Lula disse: "Como é que um metalúrgico de São Paulo ia brigar com índio da Bolívia?".

Intercâmbio de tecnologia

Sobre as relações no campo de tecnologia, Lula sustentou seus argumentos em números: lembrou que, com apenas sete milhões de habitantes, Israel tem 4.000 empresas do setor de tecnologia e o maior índice per capita de engenheiro no mundo.
Segundo o presidente, Israel é o sócio ideal para desenvolver parcerias em tecnologia de ponta, como semicondutores, telecomunicações, nanotecnologia e fármacos.
Lula afirmou que a crise financeira internacional quebrou uma série de paradigmas, mas não alterou a confiança do setor privado. Defendeu sua política em relação aos vizinhos na América do Sul, afirmando que "o Brasil é um pais grande, mas que não interessa a ele (Brasil) crescer e ficar cercado de países pobres".
A forte presença de empresários brasileiros na delegação (eram pelo menos 200 os credenciados para o encontro) sinaliza o aspecto comercial da vistia de Lula a Israel. A partir de 4 de abril entrará em vigor um acordo de livre-comércio que Israel assinou com o Mercosul em 2007 --com uma progressiva redução em impostos no comércio de produtos entre o bloco e Israel.
O presidente enumerou as iniciativas de seu governo para superar a crise financeira internacional, no ano passado; mencionou oportunidades de negócio no Brasil e apelou aos empresários israelenses para que invistam no Brasil, "mas náo apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro". Acabou aplaudido de pé pelo público do seminário.

Fonte: G1
 
 

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