09/03/2010 às 12h07min - Atualizada em 09/03/2010 às 12h35min

Brasil o país do futuro: idéia esquecida, assim como os sonhos dos jovens brasileiros.

  Em um país injusto, onde muito se fala e pouco se faz as esperanças e os sonhos juvenis são esquecidos. A criminalidade torna-se assim a perspectiva de muitos jovens brasileiros.
  Ser jovem no Brasil não é fácil, se não bastasse todas as incertezas e pressões desta fase, o jovem ainda tem de lidar com a instabilidade de um país onde perduram a desigualdade e a injustiça.
  A cada dia o número de jovens criminosos aumenta, no perfil está, baixa renda e escolaridade, pouca ou nenhuma perspectiva para o futuro. Sem ver soluções para seus problemas se lançam no mundo da criminalidade.
  Os números são alarmantes, de acordo com pesquisas da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) realizada com dados referentes a 2002, o índice de crimes cometidos por jovens cresceu mais que a população de São Paulo em 52 anos. Entre os adolescentes de 12 a 18 anos o índice passou de 6,1 para 102,5. Já a média de roubos subiu de 0,2 para 53,8.
  A pesquisa também apontou características sociais dos infratores, cerca de 90% dos adolescentes que ficam detidos por terem cometido algum tipo de delito não concluíram a 8ª série, consequentemente não chegaram ao Ensino Médio. Dos 9.555 jovens pesquisados 51% não frequentava a escola.
  O levantamento mostra que, além de terem baixa escolaridade, 90% dos adolescentes internos eram sexo masculino, 76% tinham idade entre 16 e 18 anos, mais de 60% eram negros, 80% viviam com renda familiar de até dois salários mínimos e 86% eram usuários de drogas.
  Não é de se admirar que o “País do Futuro” nunca tenha saído da estagnação, permanecendo ainda com os problemas do passado.
Com o milagre econômico a população viu uma oportunidade de mudanças no país, logo a bonança passou e o que restou foi apenas uma crise que se agravava ano a ano. Muitas mudanças foram anunciadas, mas poucas concretizadas, e menos ainda as concretizadas com sucesso.
  Veio JK com suas promessas desenvolvimentistas, - Vamos crescer 50 anos em 5!- e ficou a dívida externa que perdura até hoje. No governo FHC, as pessoas puderam dormir com a certeza de um futuro melhor e acordaram no olho da rua, com a venda das estatais.
  Atualmente vivemos a política “tapa buraco”, em vez de solucionar os problemas o governo tenta ameniza-los com seus programas fragmentados, muitos inclusive mal sucedidos.
  Sonhos frustrados, promessas falsas, poucas oportunidades, dúvidas, tudo isso leva o jovem a buscar alternativas de sobrevivência, sendo uma delas a criminalidade.
  Como mostrar ao jovem a sua importância para o futuro, se ele foi e é desprezado? Cabe ao governo dar ao jovem o suporte necessário para que ele se veja como um cidadão capaz de mudar a sociedade. Oportunidades de emprego e estágio, bolsas de estudo, educação básica necessária para que o jovem esteja preparado para competir por uma vaga nas universidades e posteriormente no mercado de trabalho.
  É necessário atentar também para as necessidades dos mais humildes. Estruturas básicas que garantam ao jovem e adolescente acesso às oportunidades, como transporte, alimentação, segurança e moradia dignas.
  Assegurar o presente da juventude brasileira é o passo inicial para fazer dela o futuro do Brasil.


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