10/01/2020 às 15h14min - Atualizada em 10/01/2020 às 15h14min

Policiais param investigações para cuidar de presos na região

Investigadores acumulam funções de agentes carcerários comprometendo os trabalhos de apuração de crimes

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Casos que deveriam estar em processo de investigação pela Polícia Civil, em Ribeirão do Pinhal, estão completamente parados porque os investigadores são obrigados a ‘cuidar’ dos presos da cadeia pública local, que funciona compartilhada à delegacia. A situação é consequência da transferência de dois agentes carcerários do município para Santo Antônio da Platina e licença médica a outros dois servidores que estão afastados das funções.
Desta forma, os investigadores assumiram por completo as funções dos cuidados dos quase 60 presos que estão na unidade carcerária e não puderam dar sequência as investigações de crimes. Por conta disso há o risco de criminosos se beneficiarem desta situação. Há informações de que este não é um caso isolado, ocorrendo em outras cidades da região.
“Eram quatro agentes carcerários, só que dois foram transferidos e dois pegaram licença médica. Depois disso os investigadores passaram a trabalhar como agentes carcerários, e não mais em suas funções. Todo o trabalho da Polícia Civil está prejudicado por conta desta situação”, reclama um dos investigadores, que pediu anonimato.
 “A situação é muito complicada para nós, que temos que recolher o lixo dos presos, tendo muitas vezes que entrar sozinhos numa cela cheia de detentos, além de várias outras situações que colocam nossa integridade em risco porque faltam os agentes de cadeia que são os responsáveis por cumprir esse papel. Eles receberam treinamento para isso, foram contratados para isso. Investigadores não têm que atuar junto aos presos, é uma situação totalmente fora do que determina a lei”, continua.
O denunciante também revela que recentemente houve um homicídio no município durante a noite e só havia um investigador de plantão na delegacia, então o policial acabou não podendo ir até a cena do crime para não deixar a unidade desguarnecida.
“A gente tem pedido ajuda já faz tempo, mas ninguém parece se importar. Chega o verão e mandam um efetivo grande para o Litoral, enquanto o resto do Estado fica sofrendo por falta de policiais”, completa.
Procurado pela reportagem, o delegado de Ribeirão do Pinhal, Tristão Antônio Borborema de Carvalho, informou que “a ausência dos agentes de cadeia foi comunicada à 12ª Subdivisão Policial de Jacarezinho visando intervir junto ao Depen (Departamento Penitenciário) para a reposição dos profissionais”.
O Depen, por sua vez, alega que o problema está na falta de agentes prisionais na região e que depende de um concurso público, a ser realizado pelo governo do Estado, para suprir a demanda desses profissionais.
“Existe uma defasagem de agentes. Não é grande, mas um profissional que sai já faz falta, e tem os que se aposentam, que tiram licença, e não houve reposição, por isso estamos nesta situação. Mantivemos quatro agentes em Ribeirão do Pinhal enquanto foi possível, mas aí houve a separação da Polícia Civil do Depen em Santo Antônio da Platina, que só tinha dois agentes, e isso nos obrigou a fazer o remanejamento. Mas Ribeirão do Pinhal não está abandonada, teve esse problema específico por conta de um acaso de dois estarem de licença ao mesmo tempo”, justifica o diretor regional do Depen, Lincoln Costa.
Segundo informações o caso do município de Uraí, com aproximadamente 12 mil habitantes sede de comarca de duas cidades a 50km de Londrina, não fica atrás das demais cidades, tendo uma cadeia registrada como Compartilhada junto ao DEPEN, possui em media de 37 presos, e também possuía 4 agentes carcereiros, mas hoje possui somente 1 (um) o que dificulta todo o trabalho da Policia Civil.
A região tem 10 carceragens anexas a prédios da Polícia Civil e outras sete já atuando de forma independente - que é uma tendência a ser praticada em todos os municípios por uma política da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, porém, sem previsão de quando será efetivada.

 
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