20/10/2009 às 10h43min - Atualizada em 20/10/2009 às 10h53min

Chuva Sem Trégua Ameaça Jataizinho

Portal Bonde / Rádio Jatai
Após mais de 24 horas de chuvas praticamente ininterruptas, Jataizinho (Norte do Estado) foi tomada pela água em vários bairros próximos ao rio que dá nome à cidade e ao Tibagi. Pelo menos 20 famílias estavam em situação de risco, mas enquanto algumas delas aceitavam deixar seus imóveis outras tantas resistiam em sair. O Corpo de Bombeiros precisou pedir apoio, inclusive com botes, de guarnições de Ibiporã e Londrina. Até o início da noite, estava descartada a possibilidade de interdição das pontes sobre o Rio Tibagi, que subia cerca de 25 centímetros a cada duas horas.

Na Vila Frederico, 18 famílias que moram às margens do ribeirão Jataizinho viam a água subir rapidamente até o final da tarde de ontem. Ameaçadas pela cheia, muitas famílias aceitaram o apoio dos bombeiros e da Defesa Civil e retiraram móveis, roupas e outros objetos pessoais no meio da tarde. Outros resistiam em deixar as casas, mesmo com o risco de perderem tudo, inclusive a própria vida. ''Moro aqui há 13 anos e já vi muita enchente. Teve umas que até cobriu a casa, nunca sai e não vai ser desta vez'', disse um morador sem se identificar.

O presidente da Associação de Moradores do bairro, Celso Aparecido Biolada, que também teve que esvaziar o imóvel, contou que pelo menos uma vez por ano o ribeirão enche e ameaça as casas. ''Aqui é sempre difícil e o pessoal sofre muito vivendo aqui'', lamentou. Ele disse que já pediu melhorias, mas até agora nenhum pedido foi atendido. As famílias seriam levadas para casas de parentes ou para centros comunitários. Numa vila próxima, o morador Antenor de Freitas e esposa também resistiam em deixar o local, mesmo com a água batendo quase nos joelhos dentro de casa. ''Há 15 anos que vivo aqui, enfrentei 13 enchentes e só não perdi ainda minha dignidade'', disse.

Às margens do Tibagi a situação era de extremo risco, apontou o comandante do Corpo de Bombeiros, subtenente Saul Brenzink. Ele já havia preparado um plano para evacuação rápida dos ribeirinhos, incluindo 30 famílias da Vila Pimenta, na margem de Ibiporã. Moradores de chácaras às margens do rio se apressavam em retirar móveis, roupas e tudo quanto pudesse ser perdido. Desde domingo, eles estavam sem energia. ''Estou aqui há dois anos e é a primeira vez que enfrento essa situação. Estou com muito medo, a água está subindo muito rápido'', apontou a moradora Maria Lúcia.

Interdição

Ibiporã foi atingida pelo terceiro vendaval em menos de um mês. A chuva acompanhada de ventos voltou a derrubar árvores, destelhar imóveis, alagar ruas e comprometer a estrutura de prédios públicos. A Prefeitura foi interditada devido ao excesso de goteiras. Escolas foram inundadas e tiveram as aulas total ou parcialmente suspensas. (Colaborou Caroline Vicentini)

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