23/06/2017 às 14h59min - Atualizada em 23/06/2017 às 14h59min

Casal do interior de São Paulo viaja de Fusca e conhece mais de 60 cidades da América do Sul

José Junior e Juliana Jesus saíram de Guareí (SP) e conheceram cidades do sul do Brasil, além do Uruguai, Argentina e Paraguai. 'Viajar com ele foi diversão na certa', diz casal.

G - 1

Nem avião, ônibus ou moto foram os meios de transporte escolhidos pelo casal José Maria de Oliveira Júnior e Juliana Carmo Máximo de Jesus para que pudessem percorrer quase 6 mil quilômetros e conhecer mais de 60 cidades da América do Sul. O escolhido para a grande aventura foi nada menos que um Fusca do ano de 1975, mais conhecido pelos dois como ‘Fusquinha’.

Em comemoração ao Dia Mundial do Fusca, celebrado nesta quinta-feira (22), os moradores de Guareí (SP) contaram, em entrevista ao G1, como o carro se tornou o grande companheiro e o responsável pela primeira viagem do casal ao Uruguai, Argentina e Paraguai.

“Sempre tive o sonho de adquirir um Fusca pela sua história, beleza e, principalmente, pela essência hippie e indomável que o carro carrega em si. Hoje para nós ele é como um filho, um membro da família” conta José.

José e Juliana são funcionários públicos e decidiram que, durante as férias no mês de março, conheceriam cidades do sul do país. Porém, para ser uma viagem diferente e com ar de “aventura”, José decidiu ir com seu Fusca.

“Sempre sonhei em viajar para o exterior, conhecer outras culturas, mas não queria ir de avião para não ficar preso a horários. Por isso, nós decidimos ir de carro. Mas não poderia ser qualquer carro, tinha que ser com o ‘Fusquinha’, que comprei há três anos. Meu amor por ele foi desde que o vi no anúncio, foi amor à primeira vista. Lembro até hoje que esperei a Ju [esposa] chegar e contei para ela que iria ver um Fusca. De imediato ela ficou zangada e disse que era louco, mas depois aceitou a ideia e também se apaixonou pelo carro”, afirma. 

Juliana conta que no começo ficou com receio de viajar com o Fusca, ainda mais porque percorreria muitos quilômetros com o veículo. “Fiquei com medo de ir para tão longe de Fusca, com medo de quebrar, até falei para ir com o outro carro que temos, mas ele [José] me dizia que se caso acontecesse alguma coisa, daríamos um jeito”, diz.

O casal afirma que muitos não acreditavam que a aventura ia dar certo. “Quando contamos para amigos e familiares que iríamos de Fusca, eles disseram que éramos loucos e que não iríamos passar do Paraná. Eles só acreditaram quando viram as fotos nas redes sociais”, lembra Junior.

Aventura sobre quatro rodas

Os dois saíram de Guareí no 11 de março e a primeira parada foi em Curitiba (PR), onde ficaram alguns dias. “Em seguida partimos para Pomerode (SC). Tanto em Curitiba quanto em Pomerode tínhamos reservas em hotéis. Já nas demais seguimos nossa intuição e ficamos hospedados em hostels, pousadas, campings e até no próprio fusca”, explica José.

A intenção do casal era conhecer os pontos turísticos do sul do país. Então, conheceram Balneário Camboriú (SC), Florianópolis (SC) e pararam em Bombinhas (SC).

“Depois resolvemos conhecer a Serra Gaúcha, passamos por Torres (RS), Gramado (RS), Canela (RS), Porto Alegre (RS) e paramos em Pelotas (RS), onde ficamos na casa de um amigo. Os três estados que passamos foram incríveis, mas o Rio Grande do Sul se destacou pela simplicidade e hospitalidade”, comenta José.  

Seguindo a viagem, os dois decidiram ir para Chuí (RS), uma cidade pequena que faz divisa com o Uruguai. “Depois de vários dias na estrada, não acreditávamos que estávamos na divisa do país. Pensamos que iríamos enfrentar uma burocracia para passar a fronteira, porém de burocracia não houve nada. Todos que estavam ali ficaram espantados quando viram a placa de São Paulo e, em menos de 10 minutos, estávamos em Aduana”, explica o casal.  

No Uruguai, eles contam que conheceram as praias de Corollina, Castillos, Punta del Diablo, um vilarejo em Cabo Polônio e foram para Punta de Leste. Depois de alguns dias em solo uruguaio, o casal decidiu continuar a viagem para a Argentina.

“O Fusca chamou muita atenção na Argentina. Por onde passávamos as pessoas acenavam, tiravam fotos e perguntavam o ano de fabricação. Falavam que era raro ter Fuscas lá”, conta José.

Segundo eles, na Argentina os dois conheceram as cidades Dos de Mayo, San Vicente e El Alcazar. De lá, foram para o Paraguai, onde fizeram compras na Ciudad del Leste. Para encerrar a aventura, os dois voltaram para o Brasil por Foz do Iguaçu, onde conheceram as Cataratas do Iguaçu.

“Percorremos aproximadamente 6 mil quilômetros em 25 dias de viagem. Ao todo, gastamos o equivalente a 500 litros de gasolina, o que não dá nem R$ 2 mil ", ressalta.
'Fusca companheiro'

O casal garante que o Fusca, com seus 42 anos, não deixou o casal na mão e foi um fiel companheiro.

“Sinceramente esperávamos que acontecesse algum imprevisto, tal como uma lâmpada queimada, correia estourada ou pneu furado. Felizmente absolutamente nada aconteceu. Manutenção era abastecer, ligar e seguir viagem. Claro que por ser um carro antigo, a bobina muita das vezes esquentava e tínhamos que parar e esperar esfriá-la, tudo no tempo dele”, explica José.

 

Ainda segundo Juliana, só foi chegando em casa que um dos pneus do veículo furou. “Quando em Guareí furou o pneu, nem o mecânico acreditou que não precisou de manutenção durante a viagem”, ressalta.

Após a aventura ter dado certo, os dois planejam conhecer a Bolívia, Chile e Peru com o grande companheiro. “Vamos com ele de novo. Viajar com ele foi diversão na certa”, diz o casal.


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