18/05/2016 às 09h57min - Atualizada em 18/05/2016 às 09h57min

Sem-terra resistem à reintegração de posse em fazenda de citado na Lava Jato

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Cerca de 500 policiais militares tentam cumprir na manhã desta quarta-feira (18) ordem de reintegração de posse de uma fazenda em Santa Terezinha do Itaipu, Oeste do Paraná. Cerca de 4,5 mil pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ocupam a fazenda desde o dia 18 de março, para denunciar o desvio de recursos públicos e reivindicar à área para a reforma agrária.

Os sem-terra resistem à operação da polícia e atearam fogo em dois caminhões na BR-277, na altura do Km 706. A rodovia foi totalmente bloqueada para tentar impedir a passagem dos policiais. Cerca de 200 manifestantes do MST protestam contra a ação de reintegração de posse. Os caminhões incendiados são do próprio MST.

Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal está no local para orientar os motoristas no congestionamento.

 

A fazenda ocupada pelos Sem Terra pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro. Segundo o MST, a área foi ocupada porque ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal.

Em delação, o lobista Fernando Moura disse que Licínio indicou Renato Duque para diretoria de Serviços da Petrobrás. Duque foi condenado a 28 anos e oito meses de prisão por corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro por participação em esquema que envolveu o pagamento de mais de 36 milhões de reais, 950 mil dólares e 700 mil euros de forma ilícita.

No dia da ocupação da fazenda de Licínio, os sem-terra afirmaram que encontraram equipamentos e materiais, como um guindaste para 100 toneladas com a inscrição soldada na haste ‘ESC 14’, que poderia indicar ser um maquinário da plataforma da Petrobrás, e canos galvanizados revestidos com emborrachamento próprio para serem usados em profundidade.

Fazenda

Na época da ocupação da fazenda, o administrador da fazenda Fernando de Freitas, informou por meio de nota que “tal invasão é absolutamente injustificável uma vez que a Fazenda Santa Maria é reconhecidamente produtiva, inclusive detentora de reserva particular do patrimônio natural que faz parte do corredor da Biodiversidade Santa Maria, que é um dos maiores projetos ambientais do Paraná”. “Nesse contexto, considerando a patente ilegalidade da citada invasão, estamos adotando as providências judiciais e administrativas necessárias a recomposição da posse alvo de esbulho ocorrida na data de hoje de forma arbitrária”, diz.

A fazenda Santa Maria tem uma área total de 1750 hectares, sendo 500 hectares de reserva legal e mata ciliar, 300 hectares de agricultura e 900 hectares de pastagem para gado de corte. A fazenda possui uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 242 hectares que faz parte do Corredor da Biodiversidade Santa Maria.

O MST reivindica que a área seja destinada para a reforma agrária. No Paraná, são mais de 12 mil Sem Terra acampados em 80 áreas.


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