30/03/2016 às 08h54min - Atualizada em 30/03/2016 às 08h54min

Bélgica interrogou Salah Abdeslam por apenas 2h desde que foi preso, revelam atas

fonte: Uol

Segundo as atas de suas audiências às quais o "Le Monde" teve acesso, o único sobrevivente dos comandos de Paris só foi interrogado por duas horas desde que foi preso, em 18 de março

Uma semana após a detenção de Salah Abdeslam, o "Le Monde" teve acesso ao conteúdo de sua audiência com os investigadores na Bélgica.

O único sobrevivente dos comandos dos ataques de Paris, no dia 13 de novembro de 2015, hoje é suspeito de saber sobre o duplo atentado que estava sendo preparado em Bruxelas e de não ter feito nada para impedi-los.  

Abdeslam foi ouvido um dia após ser preso, no dia 19 de março, na sede da polícia federal em Bruxelas. Primeiro pelos policiais e depois, algumas horas mais tarde, pela juíza de instrução, cerca de uma hora a cada vez. Um tempo que parece muito curto, considerando o valor desse acusado.

Essa audiência, bastante sumária e repleta de incoerências, mostra que os investigadores talvez tenham perdido uma oportunidade de obter informações que poderiam ter permitido frustrar os atentados de 22 de março. Abdeslam foi interrogado sobretudo sobre os acontecimentos de 13 de novembro de 2015.

Os policiais até tentaram saber mais sobre seus cúmplices em Bruxelas e a ajuda logística da qual ele pôde desfrutar durante seus 125 dias de fuga dentro da capital. Mas o interrogatório não avançou.

Abdeslam se contentou em responder às perguntas que lhe fizeram, minimizando seu papel, mas não deu nenhum elemento que pudesse despertar as suspeitas dos investigadores. Assim, a Justiça belga parece ter deixado passar a tragédia que estava sendo tramada.

Às 10h daquele sábado, Abdeslam estava acompanhado de um advogado designado pela Corte, e a primeira pergunta que lhe fizeram foi sobre seu papel durante os atentados de 13 de novembro.

Abdeslamh confirmou que foi ele que alugou carros e hotéis, e também admitiu ter sido o motorista dos três terroristas até o Stade de France. Mas em vez de assumir completa responsabilidade, ele jogou a culpa em seu irmão mais velho: "Fiz aquilo a pedido de Brahim".

Ele só confirmou a identidade de Bilal Hadfi, e não a dos outros dois terroristas suicidas do Stade de France, cujo papel ele disse "ignorar". Foi naquele momento que ele também explicou que deveria ir ao Stade de France, sem ingresso, para "se explodir."

Uma série de incoerências

Sobre o que aconteceu após a noite sangrenta, ele conta: "Desisti quando estacionei o carro. Deixei meus três passageiros, depois saí novamente. Rodei a esmo, e parei o carro, não sei onde. Fechei o veículo, levei a chave comigo e entrei na estação Montrouge. Andei algumas estações, uma ou duas, e em seguida desci. Caminhei  até uma loja de telefonia, comprei um telefone e contatei uma única pessoa: Mohamed Amri".

No caso, aquele que viria buscá-lo em Paris junto com Hamza Attou. Ali começaram as primeiras omissões de Abdeslam, uma vez que desde então se descobriu que ele tentou ligar pelo menos para uma de suas tias que mora em Paris.

Sobre seu cinturão de explosivos, Abdeslam garante que foi seu irmão Brahim que lhe deu no apartamento alugado em Bobigny. Depois de desistir, ele conta que o "escondeu" em um "lugar discreto".

Mais tarde, a juíza de instrução tentou saber se ele realmente havia desistido de se suicidar, ou se ele tinha tido um problema técnico.


Link
Notícias Relacionadas »