23/05/2015 às 11h31min - Atualizada em 23/05/2015 às 11h31min

'Tem gente muito capacitada', diz empresária sobre imigrantes em SP

Empresas contratam 30 imigrantes recém-chegados a São Paulo. Além de haitianos, imigrantes vindos da África buscam emprego na Capital.

g1.globo.com
Foto: Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão Conteúdo

A empresária Fernanda Huerta, de 32 anos, foi à Casa do Imigrante, na Paróquia Nossa Senhora da Paz, região central de São Paulo, para contratar dois novos funcionários para o seu restaurante. Passou três horas entrevistando com haitianos recém-chegados à capital paulista, africanos e imigrantes de outras nacionalidades. Acabou contratando um camaronês e um nigeriano que tinham experiência de trabalho em cozinha.

"Tive que deixar o coração de lado", disse Fernanda, que chegou ao local mais disposta a contratar haitianos depois de ler as notícias da chegada de vários imigrantes que estavam no Acre. Foram mais de 40 candidatos. "Conversei com gente muito capacitada. Eu entrevistei uma professora, um perito em hidráulica. Os dois são haitianos, mas não encontrei um deles que entendesse de cozinha", explicou.

Fiz a seleção de acordo com necessidade de meu negócio.
É muita gente. Mesmo que eu quisesse contratar todo mundo, não tinha como"
Fernanda Huerta,
empresária

"Eu fui com a intenção de ajudar, mas na quarta entrevista tive de deixar o lado social e humano. Fiz a seleção de acordo com necessidade de meu negócio. É muita gente. Mesmo que eu quisesse contratar todo mundo, não tinha como. Precisava fazer uma triagem", disse Fernanda.

Segundo o padre Paolo Parise, responsável pelo local, disse que 30 estrangeiros que moram na igreja foram contratados nesta quinta-feira (21). Alguns deles conseguiram adiantamentos dos patrões e já encontraram um lugar para morar. Outros esperam o primeiro salário para encontrar uma casa. Eles vão trabalhar em empresas de construção civil, limpeza, hotéis e chácaras.

De quinta para esta sexta-feira (22), outros seis haitianos chegaram no local. No total, 224 estão dormindo na paróquia: 124 no galpão, com colchonetes, e 110 na casa do imigrante.

Cleusa Godoy, dona do hotel Villa Verona, localizado no município de Serra Negra (139 km de São Paulo), foi atrás de um segundo funcionário na Casa do Imigrante. Cleusa estava atrás de um funcionário que não tivesse experiência.

"É melhor porque o nosso hotel tem um jeito de trabalhar, um método. Quando a pessoa vem de outros lugares, já tem uma forma de executar as tarefas. Assim eu treino meus funcionários para atender do nosso estilo", conta a empresária de 55 anos.

 

 Wiguel Achariel, 32 anos, é do Haiti e está trabalhando há um ano no hotel. Ele dorme e faz as refeições no local. Quando chegou, não falava português. Ganhou um dicionário de presente.

"Demos muita sorte. Ele tem uma personalidade divertida, carismática. E teve total interesse em aprender todos os serviços do hotel", disse a empresária.

Achariel foi quem selecionou a nova colega na Casa do Imigrante. Escolheu Erli Saint, de 37 anos. Ela também é haitiana e tem o mesmo perfil: não fala português e não tem experiência no setor hoteleiro.

Na terça-feira (19), havia a previsão de que 22 ônibus que viriam do Haiti iriam desembarcar em São Paulo. Cerca de um mil haitianos deveriam chegar à capital nesta semana.

A Prefeitura de São Paulo publicou uma nota dizendo que “foi surpreendida” pela notícia, pois não havia sido avisada pelo Governo Federal, nem pelo Governo do Acre.

"Sem notificação e prazo para planejamento e mobilização, nem por parte do Governo do Acre nem por parte do Governo Federal, nossa cidade terá dificuldades para receber em sua rede assistencial essa quantidade de pessoas", dizia a nota.

No mesmo dia, o Ministério da Justiça fez um acordo por telefone com a prefeitura de São Paulo e o Governo do Acre. A transferência de imigrantes haitianos para a capital paulista foi suspendida "até que ações referentes a essa questão estejam bem coordenadas entre os vários órgãos do governo federal, estados e municípios", como informou comunicado do Ministério.

 

Segundo Paolo, chegaram 136 haitianos - 130 na segunda e na terça, e mais seis até o final de semana. "Chegou mais um ônibus, mas eles estão indo para outros estados do Brasil também, ou ficando na casa de conhecidos e familiares", contou o padre.

Como a decisão da interrupção do transporte de imigrantes foi tomada na terça-feira, ônibus podem chegar até sábado.


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