18/05/2015 às 09h22min - Atualizada em 18/05/2015 às 09h22min

Violência leva à expansão dos condomínios fechados na RML

Fonte: Folhaweb

Londrina – O sol se põe e meninos continuam jogando bola na rua enquanto meninas circulam de bicicletas, tranquilamente, sem preocupação com o trânsito de veículos. Atualmente, a cena é rara até mesmo em pequenos municípios, mas ocorre diariamente entre os muros de condomínios horizontais, que cresceram no mercado imobiliário além das fronteiras das metrópoles e cidades-polo. Na região metropolitana de Londrina (RML), os empreendimentos se expandiram nos últimos dez anos. Cambé possui seis condomínios fechados, sendo que dois ainda estão em obras. Arapongas tem quatro, Ibiporã, dois, e Rolândia possui um empreendimento horizontal. 

O medo da violência e o desejo dos pais de proporcionar aos filhos a infância sem restrições que tiveram explicam esse crescimento. Os problemas relacionados à segurança já não são prerrogativas das grandes cidades. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos dos Santos Neto, afirma que os criminosos saem de municípios maiores, onde possuem base para atividades ilícitas, e executam crimes em cidades pequenas, fazendo o caminho inverso do morador que deixa a cidade-dormitório para trabalhar nas metrópoles. "Os problemas sociais da grande cidade refletem em toda a região metropolitana", aponta o delegado. Por outro lado, o sociólogo Wilson Sanches, da Universidade Norte do Paraná (Unopar), afirma que ao oferecer todo o aparato de segurança aos moradores, os condomínios fechados contribuem para a "segregação social" e para a perda da "percepção da realidade" dentro das áreas privadas. 

MAIOR DEMANDA
Apesar do dilema entre segurança e segregação, o fato é que a procura por condomínios horizontais em municípios da região de Londrina aumentou nos últimos dez anos, conforme o diretor do Sindicato de Habitação e Condomínios (Secovi) Marcos Moura. "Quase todas as cidades da região possuem opções nesta área. Londrina ainda tem muito espaço para lançamentos de condomínios horizontais, mas o mercado também procura atender a demanda que existe em municípios menores", explica. Moura afirma que as cidades com mais de 100 mil habitantes, como Cambé e Arapongas, são os alvos preferencias das construtoras para grandes condomínios, mas os municípios menores também apresentam empreendimentos com um número menor de lotes disponíveis. É o caso de Ibiporã. 

O último levantamento do Secovi aponta que a base territorial de 22 cidades, excluindo os empreendimentos de Londrina, possui 260 condomínios, sendo que a maioria é de prédios. Os preços de terrenos em condomínios fechados na região de Londrina podem variar de R$ 150 mil até aproximadamente R$ 1 milhão, dependendo da localidade. 

INSEGURANÇA
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Osmar Ceolin Alves, os clientes que optam pelos condomínios horizontais estão preocupados, principalmente, com a segurança. "A questão do lazer vem em segundo lugar. Infelizmente, nem as cidades pequenas são seguras por causa da violência ligada diretamente a questão das drogas", opina. Ele lembra que no município de Alvorada do Sul, também na RML, moradores de chácaras trocaram as residências mais isoladas por condomínios com características rurais, banhados pelo Rio Paranapanema, principalmente devido aos furtos e roubos nos sítios da região. "As construtoras acompanham as tendências do mercado e conhecem as preocupações dos clientes. Por isso, lançam empreendimentos com características próprias nas cidades menores para atender esse público", avalia. 

"Também existe uma tentativa de resgatar a tranquilidade das ruas do passado, sem trânsito e com as portas das residências abertas. A convivência com os vizinhos é outro ponto de nostalgia que chama atenção dos moradores que passam a viver nos condomínios fechados", acrescenta o vice-presidente do Sinduscon, Rodrigo Zacaria. 

 


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