17/04/2015 às 08h30min - Atualizada em 17/04/2015 às 08h30min

Transporte faz serviços registrar pior resultado desde 2012

Fonte: FolhadeLondrina

O setor de serviços nacional registrou crescimento nominal de 0,8% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2014, o pior resultado da série histórica iniciada em 2012. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta ainda queda de 3,1% no Paraná entre os mesmos períodos. A redução da demanda por transportes puxou para baixo o desempenho, devido ao desaquecimento econômico e a atrasos na safra, que levaram à superoferta de fretes, conforme a entidade. 

Tanto que os estados com os resultados mais negativos, entre os que têm grande peso no indicador, são os que dependem desse tipo de serviço, disse o técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha, durante a coletiva da PMS. "Negativamente, destacamos retração em estados como Rio, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás, que são mais afetados pelo setor de transportes", afirmou. Ele completou ainda que o Rio de Janeiro também teve menor demanda por serviços de engenharia, por desaquecimento na área de petróleo e gás. 

É importante ressaltar ainda que houve greve de caminhoneiros em fevereiro, com maior força no Sul do País. No total, a atividade transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio tiveram queda de 1,9% em todo o território nacional. As viagens aéreas também impactaram no resultado. "O segmento corporativo, que compõe 60% dos passageiros transportados, apresentou retração em fevereiro, apesar do turismo ter tido crescimento", disse Saldanha. 

A atividade "outros serviços" também registrou saldo negativo no mês: -0,2%. Houve desaceleração no item serviços prestados às famílias, que foi de 8,9% em janeiro para 6,8% em fevereiro, assim como em serviços profissionais, administrativos e complementares, de 5,4% para 3,6%. Por outro lado, somente o grupo serviços de informação e comunicação saiu de queda de 1,9% em janeiro para alta de 0,6% em fevereiro. 

Economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes afirma que o faturamento de serviços caiu 7,8% em relação a fevereiro de 2014, porque a inflação do setor no período foi de 8,6% e o crescimento nominal, de 0,8%. "O fraco resultado de fevereiro já evidencia a transição entre o processo de desaceleração da receita nominal e um período de retração no faturamento do setor terciário, especialmente em um ano em que há expectativa de recuo no PIB (Produto Interno Bruto)", afirmou. 

Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Positivo em Curitiba, Lucas Dezordi, o setor reflete o desaquecimento da economia, principalmente pela corrosão da renda familiar devido à inflação e ao aumento do desemprego. "A tendência nesse ano é que o PIB de serviços caia 1%." 

Ele diz que o desenrolar da demanda de serviços é diferente do comércio, o que explica o resultado pior no Paraná ante o País, enquanto o desempenho no comércio foi invertido, com alta de 0,7% em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado no Estado e queda de 3,1% no Brasil. "O serviço é mais ligado à indústria e, por isso, mais sensível ao desemprego e à menor renda." 

O delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Laércio Rodrigues de Oliveira, afirma que o setor tem a maior representatividade no Produto Interno Bruto (PIB) do País e é o que tem segurado o crescimento econômico, diante do enfraquecimento da indústria. "É o único que poderia crescer neste ano, embora a inflação esteja alta, principalmente na alimentação fora de casa."


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