24/03/2015 às 11h20min - Atualizada em 24/03/2015 às 11h20min

Investigados fizeram doação para campanha de Richa

A campanha à reeleição do governador Beto Richa (PSDB) recebeu mais de R$ 100 mil em doações financeiras provenientes de empresa e pessoas investigadas pelo Ministério Público (MP) do Paraná sobre o suposto pagamento de propina a auditores da Receita Estadual de Londrina e fraude em licitação. Os dados sobre a prestação de contas estão disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

A Alumpar Alumínios, empresa de Londrina que atua na recuperação de sucatas, doou R$ 100 mil. Segundo o registro oficial na Junta Comercial do Paraná (Jucepar), os sócios proprietários da Alumpar são José Carlos Vasconcelos, Kouthar Abi Antoun e as empresas KLM Brasil e GV Alumínio. Kouthar é filho do empresário Luiz Abi Antoun, parente do governador, que estava preso até ontem em Londrina, investigado pelo MP por suposta fraude em contratação da oficina Providence, de Cambé, para a manutenção da frota estadual. KLM e GV também são empresas ligadas a Luiz Abi. 

Além da Alumpar, a campanha do tucano recebeu doações também do ex-delegado da Receita Estadual, Dalton Lázaro Soares (R$ 3 mil), e dos auditores Marco Antonio Bueno (R$ 2,4 mil) Rosângela Semprebom (R$ 2,7 mil). Todos estão presos desde a semana passada, por suposto envolvimento no esquema de propina no órgão estadual. Rosângela é irmã do auditor Luiz Antonio de Souza, preso desde janeiro, também suspeito de integrar uma rede de exploração sexual de menores em Londrina. 

Procurado, o governo do Estado disse que apenas o diretório parananense do partido se manifestaria sobre os recursos. Em nota publicada ontem, o PSDB do Paraná afirma que "todas as doações para a campanha do governador Beto Richa ocorreram dentro da legalidade e que foram realizadas voluntariamente, cabendo aos comitês verificar apenas se elas ocorreram de acordo com a legislação". Ainda segundo a legenda, "as contas foram apresentadas e aprovadas integralmente pela Justiça Eleitoral". 

A reportagem também procurou a Alumpar, mas a secretária informou que apenas o responsável, José Carlos Vasconcelos, poderia falar com a imprensa, mas ele saiu em viagem por um mês. 

Vereador também recebeu 

O vereador de Londrina, Gustavo Richa (PHS), primo de Beto, teve a ajuda de Luiz Abi para a campanha municipal de 2012. Recebeu R$ 10 mil das empresas KLM Brasil e GV. Gustavo confirmou à FOLHA o parentesco com Abi, investigado por fraude contra o governo. "Ele é parente, é da família e pedíamos ajuda de custo para todos que pudessem contribuir", disse o vereador, ressaltando que a prestação de contas está aprovada pela Justiça Eleitoral. 

Sobre a repercussão do caso envolvendo Luiz Abi, o parlamentar reconheceu que "se soubesse disso tudo, com certeza não teria aceitado os recursos". "Existe o ônus e o bônus de ter o sobrenome (Richa), pois qualquer coisa que acontece, eu sou vinculado", comentou.


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