23/03/2015 às 09h25min - Atualizada em 23/03/2015 às 09h25min

Richa determina levantamento da ficha de auditores fiscais de Londrina

G1

Diante das denúncias de corrupção da sede de Londrina na Receita Estadual, o governador do Paraná Beto Richa (PSDB) assinou ofício na sexta-feira (20) que determina o levantamento dos antecedentes criminais, procedimentos investigatórios ou administrativos de todos os servidores da coordenação do órgão. Os dados devem estar disponíveis em 48 horas.

Uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), prendeu auditores suspeitos de deixarem de autuar empresários, que sonegavam impostos, em troca de propina. Apenas um dos investigados, por exemplo, deixou de pagar R$ 7 milhões com a colaboração dos fiscais, conforme aponta a investigação.

 

Conforme o Gaeco, Márcio de Albuquerque Lima, ex-inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual, é o líder da suposta quadrilha.

Lima é parceiro de corrida automobilística do governador Beto Richa e, até este sábado (21), é considerado foragido.

O escritório dele foi vasculhado pelo Gaeco, em 5 de março, como parte de uma investigação de enriquecimento ilícito. Lima foi exonerado do cargo três dias antes desta vistoria.

O documento assinado pelo governador determina ainda que a Controladoria Geral do Estado escolha um representante para acompanhar com a Secretaria da Fazenda a apuração integral dos fatos.

Governador defende investigação
Beto Richa afirmou na sexta-feira (20) que apoia as investigações, mesmo que seja contra pessoas de seu "círculo social".

"Toda denúncia, que haja consistência, obviamente, deve ser investigada. E, havendo culpados, que sejam responsabilizados, quem quer que seja".

A operação
A Operação Publicano, realizada pelo Gaeco, visa um suposto esquema de recebimento de vantagens indevidas. De acordo com o MP-PR existia um grupo dentro da Receita Estadual que protegia a sonegação fiscal de empresários em troca de propina. A investigação ainda não identificou o possível valor desviado.

Ao todo, 17 pessoas já foram presas. Entre elas, estão oito funcionários da Receita Estadual, sendo sete auditores, um policial civil, um contador e empresários. Por enquanto, Márcio de Albuquerque Lima é o único foragido.

Investigados em um esquema de corrupção na Receita Estadual tentaram corromper agentes do Gaeco, de acordo com o MP-PR. Esse, inclusive, foi um dos fatores que embasaram os pedidos de prisão.

Conforme o promotor, as investigações começaram há nove meses. A primeira etapa ocorreu no dia 5 de março. A operação está ligada a outras duas investigações: uma sobre exploração sexual de meninas e outra que apura uma fraude em uma licitação para o conserto de carros oficiais. No último caso, o esquema também era liderado por alguém ligado a Beto Richa - Luiz Abi Antoun, parente do governador.

Denúncias
O Governo do Paraná anunciou a disponibilidade de um número de telefone para receber denúncias de contra servidores envolvidos em irregularidades. É o 0800 41 11 13. Além disso, o governo anunciou a elaboração de um site, um e-mail e uma página no Facebook. As informações poderão ser repassadas de forma anônima.


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