27/02/2015 às 10h14min - Atualizada em 27/02/2015 às 10h14min

Caminhoneiros "migram" e bloqueios aumentam no PR

Liminares e tentativa de acordo não impedem paralisação em rodovias federais e categoria muda manifestações para estradas estaduais

FL

As liminares para desbloquear as rodovias federais obtidas pela Advocacia Geral da União (AGU) na noite de quarta-feira não foram o bastante para fazer com que os caminhoneiros acabassem com a paralisação no Paraná. Boa parte das barricadas grevistas foi removida a partir da noite da quarta-feira, mas a categoria apenas mudou de lugar e passou a ocupar estradas estaduais. O número de locais com manifestações havia até aumentado no fim do dia, de 47 no último balanço do dia anterior para 59 ontem. 

Apesar da notícia de que a categoria havia aceitado as propostas do governo federal do dia anterior, houve elevação de 23 bloqueios em vias estaduais de quarta-feira para 40 ontem, conforme relatório da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), e queda de 24 para 19 nas BRs, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até 19h30 de ontem. Das 88 interdições em vias federais, 74 estão nos três estados do Sul. Entretanto, o número deve crescer, porque parte dos caminhoneiros voltou a fechar a BR-369 na noite de ontem, em frente à praça de pedágio em Arapongas e no trecho próximo a Apucarana. 

O caminhoneiro Márcio Fagotti disse ontem que os motoristas foram informados de que a liminar obtida pela AGU tinha validade de 24 horas, o que justificaria a retomada dos bloqueios. Mas o advogado chefe da AGU em Londrina, Márcio Luís Dutra de Souza, afirmou que não existe prazo para a liminar. "Precisa ser cumprida até que acabe a paralisação e não há nada que limite a um dia. A multa de R$ 10 mil é diária, mas isso não é um prazo", explicou, ao lembrar que não podem nem mesmo permanecer nos acostamentos. O procurador da AGU informou que policiais rodoviários devem identificar os transgressores pela placa dos veículos que paralisam as rodovias. 

Diante da notícia de acordo com o governo, muitos motoristas resolveram se aventurar para entregar as mercadorias. O caminhoneiro Hélio Dias Moraes, de 36 anos, afirmou que o chefe, informado sobre a liberação, pediu que partisse com uma carga de bacalhau. "Mas parei no bloqueio. Se não chegar até amanhã (hoje), pode estragar", afirmou Moraes.

Na BR-369, próximo ao viaduto entre Londrina e Cambé, os motoristas foram removidos da rodovia na noite de quarta-feira, por volta das 20h30, mas por volta das 7 horas alguns mudaram o local de permanência para a PR-445 (Rodovia Celso Garcia Cid). A rodovia BR-369 voltou a ser ocupada por volta das 12h30, quando alguns motoristas colocaram obstáculos para impedir a passagem dos veículos nos dois sentidos. Os ânimos ficaram acirrados e alguns manifestantes atacaram com pedras os veículos que furaram o bloqueio, inclusive os de passeio. 

Em Arapongas, na BR-369, próximo à praça de pedágio da concessionária Viapar, a liberação do tráfego na estrada foi na noite de quarta-feira, mas os motoristas fizeram outro bloqueio, no km 10 da PR-444, que foi liberado por volta das 8h30. O motorista dos Correios, Éverton Batista, de 37 anos, revelou que tentou passar, mas como foi impedido, resolveu esperar a liberação das estrada em um posto de combustíveis da região. 

Um dos pontos mais congestionados na manhã de ontem foi o trecho da BR-376 entre Marialva e Sarandi. O proprietário de caminhões Paulo Mochi, de 46, afirmou que o acordo anunciado entre o governo federal e os caminhoneiros não atendia aos anseios da categoria, principalmente dos autônomos. Quando recebeu a notícia de que a pista seria liberada, afirmou que no dia 28 pode haver outra grande paralisação caso as demandas dos motoristas não fossem atendidas, principalmente em relação ao preço do combustível, ao valor do frete e em relação aos pedágios. "Graças a Deus a população tem nos apoiado, fornecendo comida e água." 

Segundo a PRF, a fila de veículos pesados entre Marialva e Sarandi atingiu 18 km de extensão na manhã de ontem, mas segundo avaliação dos próprios caminhoneiros essa distância foi bem maior.


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