05/01/2015 às 14h47min - Atualizada em 05/01/2015 às 14h47min

Leve saúde na bagagem

Viagem de férias é uma boa oportunidade para atualizar a Carteira de Vacinação; especialistas orientam sobre cuidados com a saúde longe de casa

Folha de Londrina

Neste período de férias todo mundo fica atento aos preparativos para a viagem, como o check-up do veículo e os documentos para o embarque. Mas e quanto à saúde, será que as pessoas também fazem uma revisão? 

Com um número cada vez maior de viajantes, os infectologistas vêm alertando a população para uma viagem segura, sem grandes imprevistos com a saúde. 

"Estima-se que mais de um bilhão de passageiros passem anualmente nas fronteiras documentadas, por meio de passaportes, certificados ou autorizações. Calculamos que mais ou menos a metade apresenta algum problema ortopédico ou de saúde em geral, como cortes, machucados, dores nas costas e outras situações simples", comenta o infectologista Jaime Rocha, do Laboratório Frischmann Aisengart.

A mesma informação vem da revista médica britânica "The Lancet", ao mostrar que de cada 100 mil viajantes para áreas em desenvolvimento, 50 mil terão algum problema de saúde. Destes, cinco mil ficam acamados e 300 precisam ser internados; 50 precisam de resgate aéreo e um acaba falecendo. 

A maior causa de mortalidade (62%) aliás, é relacionada com problemas cardiovasculares e entre as doenças mais comuns surgem as diarreias, febre alta, lesões cutâneas e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). 

De acordo com o infectologista, já existe a chamada Medicina do Viajante, um certificado internacional ligado à área de viagens. "No Brasil, criamos a Sociedade Brasileira de Medicina de Viagem há cerca de três anos. Ainda não temos um centro de formação, mas contamos com alguns locais com residência para que médicos possam atuar nesse sentido", afirma. 

A especialidade lida com a prevenção antes da viagem e também atende as pessoas em trânsito ou que retornaram com sinais ou sintomas incomuns. Algumas questões importantes nessa avaliação é o destino da viagem, o itinerário, tempo de estadia, histórico de saúde e de vacinação. 

"A parte infecciosa é a que mais leva as pessoas a nos procurar, mas as mais preocupantes são as doenças crônicas. Muitos estão preocupados com vacinas e demais cuidados e acabam esquecendo que devem estar bem com a saúde, com medicamentos e relatórios médicos em dia para poder viajar com segurança", observa. 

Rocha ressalta que nosso corpo muda muito quando saímos do meio em que estamos acostumados. É por isso que a Medicina do Viajante também avalia a questão de Jet Lag (mudança rápida de fuso horário) e mudanças climáticas em relação à altitude, frio e calor. Porém, ele lembra que uma das situações bem comuns é a intestinal. 

"A prisão de ventre tem muito mais a ver com hábitos emocionais e alimentares como, por exemplo, a dieta de líquidos em menor quantidade e mudança no consumo de quantidade de fibras, ao contrário da situação infecciosa de diarreia que está relacionada com o fato do viajante comer em um ambiente diferente e experimentar a culinária local. Isso aumenta muito a chance de contaminação e diarreia", comenta. 

 

PREVENÇÃO


Então, para uma viagem segura, o infectologista aponta alguns cuidados essenciais. Em primeiro lugar, ele ressalta que a pessoa deve estar com a saúde em dia. Para isso, ela deve ter feito um check-up da situação clínica e cardiológica. 

Em segundo, é preciso conhecer as patologias comuns do destino e detalhes como meio de transporte a ser utilizado, período do ano e tipo de turismo (mata, montanha ou mar). Para Rocha, todas essas informações servem de base para que o viajante tome as medidas preventivas necessárias. 

No retorno, ao apresentar algum problema de saúde, é importante que o viajante informe ao médico sobre as viagens nos últimos meses, inclusive as curtas (destinos próximos). 

 

"Muitos estão preocupados com vacinas e acabam 
esquecendo que devem estar bem com a saúde"

 


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