15/09/2014 às 16h15min - Atualizada em 15/09/2014 às 16h15min

Hipersexualidade: vício por sexo pode destruir corpo, provocar ansiedade e trazer infelicidade

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Hipersexualidade, vício, impulso ou compulsão sexual. Tanto faz o termo utilizado, já que o significado é o mesmo: obsessão incontrolável por sexo. O transtorno, que atinge cerca de 3% da população mundial e 80% deles são homens, traz prejuízos ao corpo e a vida social da pessoa. De acordo com especialistas ouvidos, o hipersexual abandona suas tarefas cotidianas, como o trabalho, e deixa de dormir e até de se alimentar corretamente, para praticar ou pensar em sexo.

A professora da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e coordenadora do Prosex (Programa de Estudos em Sexualidade) da USP, Carmita Abdo, explica que a hipersexualidade se demonstra quando a pessoa é “refém do sexo”, já que “não consegue mais ter o controle da situação”.

— A compulsão não é apenas pela relação sexual [penetração], mas sim por masturbações, acesso a sites pornográficos, entre outros. A pessoa passa o tempo todo pensando em sexo e buscando situações de cunho erótico. Por causa disso, muitas vezes, se expõe a situações de risco, como fazer sexo sem proteção, correndo risco de contrair DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), encarar uma gravidez indesejada. O hipersexual passa a ser fisicamente vulnerável, já que além de tudo isso, deixa de comer, não dorme o suficiente, se sente cansado e deixa as tarefas importantes de lado, como faltar no próprio trabalho.

Além das debilidades no corpo, o ginecologista, terapeuta sexual e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Amauri Mendes Jr, o vício proporciona uma “grande infelicidade e ansiedade, já que ele nunca se satisfaz”.

— A pessoa busca o sexo como forma de alívio e não prazer. Então, não importa o quanto ele transe ou o quanto se masturbe, ele sempre vai continuar ansioso e infeliz por não acalmar essa angústia que sente. É como se ele tivesse um calo em seu pé que o incomoda o dia inteiro. Muitos não conseguem parar em empregos, pois são pegos de olho em sites pornográficos. No âmbito familiar, também há preconceito e, muitas vezes, há falta de entendimento, já que os parceiros não entendem essa necessidade extrema em fazer sexo.


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