22/08/2014 às 15h46min - Atualizada em 22/08/2014 às 15h46min

Carlópolis fica sem hospital; pacientes serão encaminhados para unidades da região

Dos 35 funcionários 26 foram demitidos e apenas nove serão reaproveitados no Pronto Socorro Municipal

tanosite.com

O Hospital São José atendeu a população de Carlópolis oficialmente até ontem, 21. A partir de hoje, os pacientes da cidade que precisarem de internamento serão encaminhados para hospitais da região. Dos 35 funcionários que trabalhavam no local, 26 foram demitidos. Apenas nove serão reaproveitados no atendimento do Pronto Socorro Municipal. 
Segundo a diretora administrativa, Karitas Maria Abucarud, a unidade contava com 36 leitos e atendia uma média de 60 pessoas por mês nas áreas de obstetrícia, pediatria e clínica geral. “Nossa população não ficará desatendida. O pronto atendimento funcionará normalmente. Também estamos firmando convênios com hospitais da região, em especial de Ribeirão Claro para encaminhar pacientes que precisam de internamento. As gestantes vão para o Hospital Regional do Norte Pioneiro, em Santo Antônio da Platina”, disse. 
O prefeito Marcos Antônio David, o Pezão (PPL), atribui o desfecho aos vereadores, que não aprovaram o projeto de lei para contratação de uma empresa especializada no ramo da Saúde pelo sistema Parceria Público Privado (PPP). 
Na semana passada, o prefeito contou que a crise no Hospital São José vem se arrastando desde a saída das freiras da Congregação ABEC (Associação Beneficente Educacional, Cultural Irmãs São João Batista Santa Catarina de Sena Medeias). Elas administraram a unidade durante 42 anos. Aos poucos, foram desativando o hospital e há cerca de quatro anos, o descredenciaram do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir daí, a prefeitura passou a manter a instituição com recursos próprios. Há um ano, Pezão contratou a empresa Atual, especializada em administração hospitalar, como medida de emergência, por seis meses podendo ser prorrogado pelo mesmo período. O último prazo venceu ontem, dia 21. 
Há quase dois meses, o prefeito desapropriou o imóvel que abrigava o hospital por R$ 750 mil e reverteu a posse do terreno à prefeitura. Segundo ele, essas medidas visavam um novo impulso à área da saúde de Carlópolis, mas para isso, era preciso autorização da Câmara de Vereadores para contratar empresa de administração hospitalar. 
Pezão enviou à Câmara um projeto de lei considerado pelos vereadores “ousado demais”, e foi vetado na sessão da Câmara ocorrida na semana passada. 
“Diante dessa negativa, não há mais nada que eu possa fazer para manter o hospital. A prefeitura não tem condições de cuidar de tudo. É preciso terceirizar”, disse salientando que a empresa proporcionaria avanços significativos no atendimento ao público. “Queríamos ampliar algumas alas do hospital, fazer melhorias no prédio, enfim, a intenção era boa, mas o veto dos vereadores provocou o fechamento do hospital”, lamentou.

CÂMARA 
O projeto do prefeito que assustou os vereadores propõe a abertura de licitação para contratação de uma empresa especializada no ramo hospitalar para gerir o Hospital São José. Essa empresa teria direito de administrar a casa de saúde no mínimo por cinco e no máximo por 35 anos, e o valor a ser pago ao longo do contrato seriaR$ 20 milhões. A empresa ficaria responsável pelos funcionários, melhorias no imóvel, manutenção, medicamentos, insumos etc.
Para os vereadores, o valor a ser pago à empresa, o tempo que ela poderá atuar e a possível cobrança de alguns serviços inviabilizaram a aprovação da lei. Outro fator que causou o veto foi que os vereadores desconhecem o sistema PPP na saúde pública. “Desconhecemos esse sistema na área da saúde pública. Há um hospital na Bahia que funciona dessa maneira, mas ele tem uma alta demanda de pacientes”, comentou o presidente da Câmara Jorge Luís Damin (PSB).
Em nota enviada á imprensa, o vereador Marcos Furlan disse que não é contra a saúde pública, mas que o projeto do prefeito pretende é a privatização do hospital através do Programa de Parceria Público Privada (PPP).
“ É um projeto muito complexo, além do mais não voltado apenas ao hospital. É um projeto que privatiza todo serviço publico municipal. E muito se falou só da saúde. Isso é: Dar para uma empresa particular administrar cada setor do nosso município, como por exemplo; a educação, cultura, esporte, assistência social, transporte publico, saneamento básico, segurança, lazer e turismo, ciência, pesquisa e tecnologia, habitação, urbanização, meio ambiente, e outras áreas publicas de interesse social ou econômico. E isso por um prazo que pode ser de ate 35 anos, com um valor de no mínimo R$-20 milhões. Só que temos que pagar pelo trabalho da empresa. No projeto, ainda se oferece a possibilidade dela cobrar alguns serviços do cidadão. No meu entender o especifico projeto é inviável ao município, e respeito a opinião dos outros”, disse.


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