23/05/2014 às 16h53min - Atualizada em 23/05/2014 às 16h53min

MP-PR investiga denúncia de maus tratos contra animais em rodeio

Imagens mostram peões utilizando instrumentos contra bois em Maringá. Empresa organizadora disse que vai apurar se houve ou não maus tratos.

g1

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) vai investigar uma denúncia de maus tratos contra animais que foram utilizados durante o rodeio da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá). Imagens gravadas por um cinegrafista amador durante o rodeio, que ocorreu entre os dias 16 e 18 de maio, foram entregues a promotoria que abriu um procedimento investigativo para apurar se ocorreu crime de maus tratos.

Nas imagens, os animais aparecem encurralados antes da montaria. Em uma das cenas, um peão puxa o rabo de um animal. Em outra cena, peões usam um equipamento amarelo para fazer o boi andar e pular. Já em outra imagem, um homem utiliza um aparelho pequeno que também faz o touro reagir. 

Para a Sociedade Protetora dos Animais os dois equipamentos emitem choques para estressar o animal. “O equipamento maior é utilizado para fazer o animal se movimentar. Só que o uso de choque é proibido nos rodeios”, diz Camila Fabri.

Além das imagens, o MP-PR também recebeu um abaixo assinado contra a realização do rodeio na cidade.  De acordo com o promotor José Lafayetti Barbosa Tourinho esses materiais serão utilizados durante a investigação. “Estamos analisando as imagens para ver se há sinais de utilização de instrumentos contra os animais. Nós inclusive vamos encaminhá-las para especialistas, para termos ainda mais certeza sobre o assunto”, detalha.

O promotor acrescenta que uma lei federal proíbe a utilização de qualquer tipo de equipamento contra animais. “Junto do abaixo assinado, os manifestantes contrários ao rodeio nos encaminharam uma lista de municípios que proíbem a realização do rodeio. As legislações municipais dessas cidades vão nos ajudar na investigação”, explica Tourinho.

A Sociedade Rural de Maringá, responsável pela exposição agropecuária, diz que o rodeio é feito por uma empresa particular, mas vai apurar o que teria acontecido no rodeio. “Nós ainda não temos os dados levantados, não apuramos o caso. Mas, se houve as agressões faremos os encaminhamentos devidos, para que as pessoas responsáveis sejam punidas”, declara o presidente Wilson Mattos Filho.

O proprietário da empresa organizadora do rodeio em Maringá, Alexandre Bolfer, disse que as companhias de animais participantes dos rodeios são terceirizadas. Afirmou que não viu as imagens e ainda não foi chamado pelo Ministério Público para prestar esclarecimentos. No entanto, garantiu que se ficar comprovado que alguma companhia usou equipamento de choque nos animais, ela será excluída dos rodeios que promove.

O MP-PR ainda não tem previsão de quando a investigação será concluída.


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