13/05/2014 às 15h37min - Atualizada em 13/05/2014 às 15h37min

Promotora fala sobre as prisões de funcionários do Cristo Rei

A diretora administrativa do hospital, o chefe recursos humanos, o chefe do setor financeiro e o chefe de enfermagem foram presos. Cinco testemunhas prestaram depoimentos.

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Por volta das 11h10 desta terça-feira (13), a promotora Josilaine Aleteia de Andrade concedeu uma entrevista coletiva para expor os motivos pelo qual quatro funcionários do Hospital Cristo Rei foram presos Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Outras cinco pessoas também foram conduzidas ao Fórum de Ibiporã na condição de testemunhas. Todas prestaram depoimentos e foram liberadas.

Dentre os presos está a diretora administrativa do hospital, o chefe dos recursos humanos, o chefe do setor financeiro e o chefe de enfermagem. De acordo com a promotora, o Ministério Público investiga a suposta má gestão de recursos pelo hospital. “O MP está investigando há mais de um ano. Inicialmente se investigava a denúncia de falta de qualidade no atendimento às pessoas e alguma omissões que acarretaram em mortes”.

“Na sequência nós formulamos pedidos de busca e apreensão no hospital – os quais nós não compartilhados com a imprensa – cumpridos no dia 10 de fevereiro, e o material apreendido nós encaminhamos para uma auditoria do Ministério Público, cujo os auditores formularam diversos relatórios, que culminaram, junto com os outros elementos de prova que tínhamos, no pedido de prisão dos principais envolvidos”, relatou a promotora.

Josilaine falou sobre os apontamentos feitos na auditoria. “A auditoria apontou desvio de dinheiro do hospital. O motivo das prisões temporárias é para saber quem pegou o que, quem ficou com o que, porque este é o objetivo do Ministério Público, que irá aprofundar as investigações neste sentido”, falou.

Ainda de acordo com a promotora, fala-se em um arrombo milionário nos cofres do Cristo Rei. “A auditoria fez um cálculo por baixo, porque ainda não temos como saber a quantia exata, e o valor desviado seria de 3 milhões de reais, sendo um milhão por ano a princípio, mas isso aí pode ser bem maior”, afirmou Andrade.

O dinheiro seria proveniente da contabilidade do hospital. “Seria desvio da contabilidade, principalmente de atendimento particulares que eram realizados e não contabilizados. A investigação vem desde 2004 e a apuração foi feita dos últimos cinco anos”, informou Josilaine.

As prisões são temporárias e válidas por cinco dias. “O Ministério Público pode protocolar ou não o pedido de prorrogação dessas prisões temporárias e depois pode vir uma denúncia preventiva. Uma testemunha colaborou bastante, mas eu não consegui ouvir todo mundo ainda, sendo que está faltando um conduzido coercitivamente. Só depois começarei a ouvir as pessoas presas, ainda hoje”, expôs a promotora.

Dentre as testemunhas está uma funcionária, dois contadores e dois médicos. Perguntada, Andrade foi firme em dizer que o que é investigado causou muitos prejuízos à população. “Sem dúvida nenhuma causaram prejuízos, porque hoje o Cristo Rei está sucateado. Não tem equipamentos, faltam médicos para fazer atendimento de plantão e, com certeza, o desvio culminou no mal atendimento da saúde”, assegurou.

As investigações continuam e possíveis quebras de sigilos bancários e telefônicos poderão ser solicitadas. Dinheiro e documentos também foram apreendidos nesta terça. A princípio não há expectativa de outros pedidos de prisão. Os detidos serão encaminhados a uma penitenciária da cidade de Londrina, porque Ibiporã não teria estrutura para abriga-los. Os nomes não foram divulgados.


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