05/02/2014 às 08h50min - Atualizada em 05/02/2014 às 08h50min

URAÍ: O prefeito afastado Almir Fernandes de Oliveira (PPS), diz que foi vítima de um ''linchamento político''

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Uraí – O prefeito afastado de Uraí, Almir Fernandes de Oliveira (PPS), diz que foi vítima de um “linchamento político” protagonizado “a toque de caixa” pela Câmara de Vereadores. “Em nenhum momento fui chamado para me defender”, justifica.

Oliveira foi afastado do cargo em uma sessão extraordinária realizada no dia 22 do mês passado. Ele diz que se sente traído pelo vice-prefeito, Sérgio Henrique Pitão (PSC), que assumiu o cargo no dia seguinte e trocou as chaves da prefeitura, uma atitude considerada “lamentável” por Oliveira.

 

Como o senhor analisa o seu afastamento da prefeitura?
Isso que aconteceu comigo foi um golpe. Desde que assumi a prefeitura em 2011, venho tendo problemas com meus adversários políticos. (Oliveira era vice de Susumo Itimura, que teve o mandato cassado). Em 2012, eu derrubei na Justiça uma Comissão Processante e uma CEI (Comissão Especial de Inquérito), todas sem fundamento. Agora já estou com quatro, duas do ano passado e duas que entraram este ano. O meu adversário, que é o autor de uma das denúncias, está com problemas muito sérios no Ministério Público Federal. Ele criou uma empresa fantasma em Uraí e eu entrei com uma processante contra ele quando era presidente da Câmara. Isso nada mais é que uma retaliação, uma injustiça. Todos os advogados com quem conversei foram unânimes em dizer que essa atitude da Câmara é uma aberração jurídica, uma arbitrariedade. Eu estou sofrendo linchamento político por um grupo forte na cidade, que não se conforma em ter perdido a eleição. Essas denúncias são totalmente infundadas e nós vamos provar isso na Justiça.

O senhor se sente traído pelo seu vice?
Totalmente. Nós fizemos uma coligação de 13 partidos. Nunca houve uma união tão forte como essa na história política de Uraí. Só que, infelizmente, logo depois que nós ganhamos a eleição, ele já vinha pressionando, exigindo cargos, queria nomear secretários, mas ele foi eleito para ser vice-prefeito e não para ser o prefeito. Quando ele viu que eu não permitia esse tipo de atitude, começou a trabalhar na oposição e se aliou aos também adversários dele para me combater. Inclusive há dois vereadores que são do partido dele, o PSC, que se voltaram contra mim também. Eu me elegi com o apoio de oito vereadores de um total de nove. A gente teria, teoricamente, oito parlamentares trabalhando com a gente, mas ficamos com apenas três.

Ele disse que pretende cumprir o mandato até o final. O senhor se sente decepcionado com isto?
Não. A gente sabe que, infelizmente, a política é isso. Aconteceu comigo hoje, amanhã pode ser com ele, depois com outros. Amizade e lealdade em política duram só 24 horas, se durarem.

O que o senhor achou da troca das chaves das prefeitura?
Não é uma atitude séria. É uma coisa lamentável, de péssimo gosto. A população de Uraí me conhece, eu sou nascido e criado na cidade há 55 anos; sou dentista há 32 anos e sempre trabalhei na iniciativa privada e como dentista do serviço público. E no serviço público eu nunca cobrei nem um centavo de paciente nenhum. Esse negócio de fechadura é coisa de quem mede os outros com sua régua. Eu tenho consultório, sou concursado pela prefeitura, ao contrário de muita gente que usa a saúde com demagogia, para fazer política, usa para enganar e para cobrar de pacientes. Se a intenção dele foi me atingir de alguma forma, não em atingiu. Eu sempre trabalhei honestamente. Não sou picareta nem de saúde, nem de qualquer outra coisa, ao contrário do que existe por ai. Nem eu e nem meus assessores, que toda a cidade conhece, iria invadir a prefeitura na calada da noite. Isso não é do nosso feitio, da nossa formação.

O que o senhor acha de seu afastamento ter acontecido de forma tão rápida?
Nós sofremos um golpe. Essa denúncia foi apresentada na sexta-feira à tarde ou na segunda de manhã. O presidente da Câmara “sentou” em cima dessa denúncia. Somente na terça-feira, na hora do almoço, ficamos sabendo pela mídia. Foi ai que nosso advogado pediu a cópia para a gente poder se defender. Essa cópia só foi entregue na quarta-feira, às oito da manhã. O presidente já havia marcado uma reunião extraordinária para a mesma quarta-feira, às sete e meia da noite, porque a Câmara estava em recesso. Não tivemos tempo de nos defender em hipótese alguma. Já julgaram e me afastaram. É uma coisa que não está na lei orgânica do município e nem no regimento interno da Câmara. Então foi absurda a decisão dos vereadores.

Ou seja, o senhor não teve a chance de se defender?
De jeito nenhum. Um assassino, um ladrão, um estuprador, em qualquer lugar do mundo, tem direito de defesa. Eu não tive. Foi uma arbitrariedade. O que eles fizeram é uma falta de respeito com a população, uma molecagem. Isso atrapalha o desenvolvimento da cidade. Com isso eu fico indignado. Qualquer ser humano tem direito de defesa.

O senhor acha que é possível reverter essa situação, mesmo sem a maioria na Câmara? Está confiante que volta para a prefeitura?
Eu acredito que pelo menos um desses ai (vereadores) que hoje não estão comigo tenha o bom senso de nos acompanhar. Toda vez que me reuni com eles, não pedi nada que não fosse legal. Mas eu gostaria de ser ouvido também. Eu tenho esperança de que isso sirva para alguma coisa porque a população, inclusive não eleitores meus, está indignada pelo fato de eu não ter direito a me defender. Fui acusado e julgado com execução sumária. Eu tenho esperança (de voltar) sim. Tudo que estou falando eu tenho como provar. E acho que os vereadores também vão ter que se entender com a Justiça porque eles votaram uma irregularidade e terão que responder por isso. Isso foi oportunismo político.

 


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