10/12/2013 às 07h21min - Atualizada em 10/12/2013 às 07h21min

Golpes populares ainda fazem vítimas no Paraná

Máquina de fazer dinheiro, falso sequestro e bilhete premiado são alguma das modalidades praticadas por estelionatários

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A imaginação do estelionatário vai longe quando o objetivo é levar vantagem sobre alguém. No Norte do Paraná, os golpistas estão utilizando o nome da polícia e até de religiosos para tirar dinheiro das pessoas. Eles já conseguiram fazer vítimas em cidades de médio e pequeno porte, como Londrina, Ibiporã, Arapongas, Rolândia e Barbosa Ferraz. Apesar de antigos, golpes mais populares, como o do bilhete premiado, da tampinha e do pacote, também seguem pegando desavisados em municípios menores.

A aposentada Maria José Oliveira de Souza estranhou quando um homem se passando por ajudante de padre apareceu no portão de sua casa, em Santo Antonio da Platina. Logo despachou o visitante, que foi bater na residência da vizinha. O suspeito disse que ia abençoar o local e conseguiu permissão para entrar. Após fazer a moradora e a nora entregarem as joias que tinham, saiu. Desconversou, mentindo que chamaria um outro padre. “Levou cordões de ouro e um anel de bodas de ouro, dizendo que era para benzer”, conta Maria.

Em Bom Sucesso, o falso benzimento também gerou prejuízo – duas correntes de ouro e de R$ 2 mil a uma aposentada, segundo a Polícia Militar. Já em Arapongas, o delegado da Polícia Civil que cuidou do caso, José Arnaldo Perón, relata que uma idosa perdeu R$ 600 no mesmo “conto do vigário”.

Mototaxistas foram as vítimas em novembro de um golpe de falsas encomendas junto à Polícia Militar, em Londrina. O autor dos pedidos seria um oficial do 5º Batalhão da PM, que teria solicitado medicamentos e créditos para um celular, de DDD 65. A encomenda deveria ser entregue na sede policial.

A PM nega que as solicitações tenham sido feitas e orienta para que haja certificação da existência de seu destinatário em casos semelhantes. “Fica bem claro que o nome e endereço do batalhão, bem com sua credibilidade, foram utilizados para golpe”, afirma, em nota, o capitão Nelson Villa Júnior.

Ganância

O delegado José Aparecido Jacovós, chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, observa que as antigas “pegadinhas” continuam colando. Ele cita o golpe do “paco”, registrado há poucos dias em São João do Ivaí. A vítima encontrou um pacote deixado propositalmente na rua e teve a impressão de que se tratava de uma grande quantia de dinheiro. O golpista se aproximou, afirmando ser o dono do pacote e prometeu uma gratificação. Pediu, contudo, que a vítima desse uma garantia em dinheiro até sacar o valor prometido.

Para Jacovós, crimes como este e o do falso bilhete premiado, também ocorrido em Apucarana e Jandaia do Sul, poderiam ser evitados com bom senso. “Ninguém dá dinheiro de graça”, pondera.

Desconfiança é dica contra malandros

Desconfiar de oportunidades fáceis de ganhar dinheiro é o primeiro passo para evitar cair em golpes, recomenda o delegado adjunto da Delegacia de Estelionatos e Desvio de Cargas do Paraná, Matheus Laiola. “Se fosse tão simples assim, todo mundo ficaria rico”, define ele, ao argumentar que o excesso de confiança da vítima pode levá-la a uma situação de risco.

Laiola cita como exemplo um anúncio de carro à venda na internet por um preço abaixo da tabela ou um aparelho celular apresentado com descontos absurdos. “Se o veículo custa R$ 100 mil e na internet está por R$ 50 mil, o produto não vai vir depois. Esta diferença de valor tem de chamar a atenção”, alerta.

O delegado diz ainda que é importante guardar bem senhas de cartões e documentos e não informar dados pessoais a estranhos. Também é importante não guardar cheques em branco assinados e ter cuidado ao assinar contratos. O ideal é lê-los antes com atenção redobrada e não depositar dinheiro sob promessa de ter vantagens. “Estamos com um inquérito, para se ter uma ideia, de mais de duas mil páginas, de um golpe de R$ 1,5 milhão, em que uma funcionária cuidava das contas da família e raspou todo o tacho”, relata Laiola.

 

Crime é motivado pela impunidade

A pena prevista para o crime de estelionato é de 1 a 5 anos de reclusão, mas, segundo o delegado adjunto da Delegacia de Estelionatos e Desvio de Cargas de Curitiba, Matheus Laiola, é comum que haja conversão para prestação de serviços à comunidade.

Na maioria das vezes, o Poder Judiciário entende que os casos não geram repercussão social nem são praticados mediante violência ou grave ameaça. “Assim, com as prisões lotadas, seria mais interessante deixá-los responder em liberdade. O problema é que alguns seguem com os golpes”, pontua.

A reincidência, analisa Laiola, ocorre porque, em geral, o perfil do estelionatário é o de uma pessoa que não tem remorsos. “Eles não se importam com as vítimas e têm um poder de convencimento enorme,”, diz.

Conto do vigário

Veja outros tipos de golpes ainda aplicados por vigaristas no interior do estado:

Falso sequestro

Pessoa liga para vítima simulando ter sequestrado alguém da família, dá informações sobre a vítima e exige depósitos em dinheiro;

Bilhete premiado

Golpista se passa por pessoa desinformada, que não sabe trocar prêmio ganho na loteria e que deseja vender o bilhete;

Mensagem de celular

Vítima recebe SMS em nome de uma emissora de televisão, sobre um suposto prêmio. A condição para recebê-lo é fazer um depósito;

Recadastramento de cartão

Alguém telefona para a vítima, dizendo ser do banco onde ela tem conta. O golpista insiste para que seja informada a senha do cartão;

Lista telefônica

Suposta empresa entra em contato com comerciantes e diz que ele deve assinar um contrato para que o nome de seu estabelecimento conste na lista telefônica. Documento enviado é uma autorização para débito em conta;

Máquina de fazer dinheiro

Estelionatário simula a produção de notas em uma máquina, deixando três cédulas verdadeiras na saída do aparelho. A vítima confere junto ao banco a veracidade do dinheiro e compra a máquina, que, na verdade, não produz nada.

Denúncias

Devem ser feitas para a Polícia Civil, através do telefone 197, e à Polícia Militar, pelo 190.

 


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