09/01/2013 às 18h05min - Atualizada em 09/01/2013 às 18h05min

Sanepar está poluindo nascente que deságua no Rio Congonhas, denunciam produtores rurais

anuncifacil.com.br

 

Na tarde de segunda feira (07), o vereador Edson Ducci, acompanhado de uma equipe de reportagem da Rádio Cornélio, visitou o Aterro Sanitário de Cornélio Procópio para verificar uma denúncia de crime ambiental, onde segundo produtores rurais que não desejaram se identificar, a Companhia de Saneamento do Paraná, a SANEPAR, estaria poluindo a nascentedo Ribeirão da Fazenda Santa Maria que deságua no Rio Congonhas, que abastece a cidade.

No local, o vereador e os repórteres constaram que o Aterro Sanitário não existe mais, o lixo está sendo depositado a céu aberto e depois misturado com a terra retirada dos barrancos e sem lona para proteger a terra, um verdadeiro riacho de chorume foi criado pelas chuvas e o declínio da área se encarrega de levar o líquido poluente para a nascente localizada a poucos metros do local.

O chorume, também chamado por líquido percolado, é um líquido poluente, de cor escura e odor nauseante, originado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos. Esses processos, somados com a ação da água das chuvas, se encarregam de lixiviar compostos orgânicos presentes nos lixões para o meio ambiente.

Foi observado também que depois que a SANEPAR começou a gerenciar o aterro, a estrada rural que serve para escoar a safra das propriedades rurais vizinhas, está sendo gravemente prejudicada. Com a descida desta enxurrada com chorume uma valeta está sendo criada na estrada. Já é possível ver as suas marcas com apenas três meses da mudança na paisagem.

A esteira que fazia a separação do lixo reciclado está abandonada o lixo não está mais sendo separado. Nenhum trabalhador da reciclagem que sobrevivia da separação de lixo estava no local.

Em setembro de 2012, o IBAMA multou SANEPAR em R$ 38 milhões por despejar esgoto não tratado no Rio Iguaçu, um dos maiores do Estado. A multa foi em consequência da operação Água Grande, da Polícia Federal, que também indiciou trinta gestores da empresa por crime ambiental e estelionato.

Além disso, as investigações apontaram irregularidades no funcionamento das 225 estações de tratamento de esgoto da SANEPAR. Para PF e IBAMA, 20% delas podem ser consideradas clandestinas, por não possuírem licença ambiental para funcionamento.

A SANEPAR rebateu as acusações, alegando ser uma manobra política em meio às eleições para a prefeitura da capital.

Responsável pelo abastecimento de água para a cidade de Cornélio Procópio, a SANEPAR tem um contrato de 30 anos ao que se refere à coleta de lixo, programas de saneamento básico e a administração do aterro sanitário e usina de reciclagem.

Este contrato foi aprovado na gestão passada da Câmara de Vereadores em meio a manifestações de repúdio e contra a vontade do atual prefeito que questionou e ainda questiona a lei imposta pelos membros do legislativo, onde alguns ainda permanecem no cargo devido serem reeleitos na última campanha eleitoral.

A agressão ao meio ambiente por uma empresa estatal que se utiliza dos recursos naturais para obter lucro é algo realmente absurdo. A água é nosso principal patrimônio e pertence ás futuras gerações. O que se espera é que desta vez a SANEPAR quebre o silêncio e responda sobre esta irresponsabilidade com aqueles que pagam caro por seus serviços, como também a ação imediata dos órgãos que protegem o meio ambiente, as autoridades administrativas e o poder legislativo de Cornélio Procópio.


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »