26/09/2012 às 14h02min - Atualizada em 26/09/2012 às 14h02min

Em meio à superlotação de presos no Paraná, Andirá tem nova cadeia vazia e abandonada

anuncifacil.com.br

 

Em um cenário de carceragens superlotadas nos distritos policiais paranaenses, um prédio novo, onde funcionaria uma delegacia com capacidade para 78 presos, definha abandonado e sem a proteção de nenhuma autoridade.

O caso de ineficiência do poder público ocorre em Andirá (47 Km de Cornélio Procópio), onde a Polícia Civil está alojada em um prédio antigo, cuja carceragem tem apenas 12 vagas e na qual se espremiam 44 detentos na semana passada.

Inaugurada em dezembro de 2010, a nova delegacia apresenta problemas estruturais que impediram seu uso pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Os banheiros foram construídos de forma inadequada e a sala do delegado é vulnerável a eventuais ataques externos. A construção custou R$ 700 mil ao erário paranaense e terá que consumir ainda mais recursos para ficar em condições de uso pela Polícia Civil.

A equipe de reportagem do jornal Folha de Londrina visitou o prédio na semana passada. O local não tem vigilância e o portão é fechado apenas por uma pequena corda. Basta desenrolá-la para ter acesso ao terreno onde a obra foi construída. Em torno da delegacia abandonada, o mato cresce. A pintura descasca, os vidros foram quebrados e as luminárias externas, arrancadas. Vizinhos informaram à reportagem que o local é frequentado por mendigos, que até usam os banheiros externos para suas necessidades.

A construção tem 2,9 mil metros quadrados e foi erguido após apenas 11 meses de obras. O terreno foi doado pela prefeitura. Além de 12 celas, o prédio conta com salas para o setor administrativo e de identificação, espaço para cartórios, cozinha, refeitório, sala de visita, sala de reconhecimento, depósito, garagem e solário.

Após mais de um ano de abandono, o prédio chegou a ser pleiteado pela Secretaria Estadual de Justiça (SEJU) para abrigar uma unidade para presos do regime semiaberto, o chamado centro de ressocialização A ideia, no entanto, foi abortada em março deste ano, após uma audiência pública convocada pela Assembleia Legislativa para discutir o assunto. Na ocasião, os moradores preferiram recusar o funcionamento do presídio no local por questões de segurança.

O promotor João Conrado Blum, que ocupa o cargo na cidade desde julho, disse que pode instaurar inquérito para apurar as irregularidades na construção. Ele disse que mesmo que o prédio se torne útil a curto prazo, o Ministério Público deverá apurar as responsabilidades sobre os erros no projeto do imóvel. Ele não soube explicar por que seu antecessor no cargo não fez a investigação.

 

O delegado de Andirá, Luiz Fernando Ripp, preferiu não se pronunciar sobre o assunto. A SEJU confirmou o interesse pela estrutura para abrigar exclusivamente uma unidade prisional. Inaugurada na mesma época, a nova Delegacia da Lapa (Região Metropolitana de Curitiba) passou por obras de adaptação e se tornou um centro de ressocialização recentemente. A SEJU queria fazer o mesmo em Andirá, mas esbarrou na negativa da comunidade.

Já a Sesp promete que a nova delegacia será reinaugurada em janeiro. De acordo com o delegado-chefe da Divisão Policial do Interior, a Divisão de Infraestrutura da Polícia Civil deve avaliar as condições do prédio nas próximas semanas para definir quais serão as obras de ajuste para colocá-lo em uso.(Informe Policial commatéria de Lúcio Flávio Moura/Folha de Londrina)


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