03/09/2012 às 15h17min - Atualizada em 03/09/2012 às 15h17min

Norte Pioneiro prevê colher 274 mil toneladas de trigo

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Os agricultores do Norte Pioneiro devem colher 274 mil toneladas de trigo na safra atual, o que corresponde a 12,4% da produção prevista no estado do Paraná, que é de 2,2 milhões de toneladas. A estimativa é do engenheiro agrônomo Hugo Godinho, técnico responsável pela cultura do trigo no Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).

Os municípios que compreendem o núcleo regional da Seab em Cornélio Procópio vão colher 181 mil toneladas, 8,2% do total do estado, e o núcleo de Jacarezinho 93 mil toneladas, 4,2% do total. A colheita na região começou na semana passada, quase um mês depois de outras regiões do estado, e será concluída na segunda quinzena de setembro.

A produção de trigo no Norte Pioneiro poderia ser quase 50% se não fosse a redução da área de plantio na atual safra. No ano passado, a área com trigo no Paraná passava de 1 milhão de hectares e este ano caiu para 775 mil hectares, 28% do total. Só a regional de Cornélio Procópio, que já teve uma das maiores áreas da cultura no estado, sofreu uma diminuição de 35%.

A redução da área de plantio é atribuida a dois motivos pelo técnico do Deral: o primeiro foi a demora da definição do preço do trigo este ano e o segundo, a liquidez maior oferecida ao milho, dai a expansão cada vez maior da segunda safra deste produto no ano.

Godinho acredita que o trigo vai continuar perdendo espaço para o trigo nos próximos anos, a menos que haja algum fato novo que altere este panorama.

Os associados da Integrada Cooperativa Agroindustrial plantaram cerca de 60 mil hectares de trigo nos municípios do Norte Pioneiro. O engenheiro agrônomo Irineu Baptista, gerente técnico da cooperativa, diz que o clima seco dos últimos dias está contribuindo para uma ”colheita excepcional”. Segundo ele, o produto colhido é de boa qualidade e a quantidade também é considerada satisfatória, em torno de 2700 a 2900 quilos por hectare, em média.

Baptista diz que o produtor tem optado pelo milho como segunda safra porque a cultura do trigo apresenta uma série de problemas, a começar pela histórica falta de apoio oficial, riscos de doenças e interferências climáticas durante a germinação e a dificuldade de comercialização após a colheita. Outro detalhe apontado é que, em função do transporte, fica mais barato levar o trigo da Argentina para a região Nordeste do que o trigo produzido nos estados do Sul.

A Integrada procura conscientizar seus associados sobre a importância da rotação de culturas, orientando o produtor para a necessidade de plantio de trigo, mesmo em uma área menor, para não ficar atrelado somente ao milho. ”A rotação é muito importante para a manutenção da qualidade do plantio direto, mas esbarra na dificuldade da competição econômica, já que o milho tem uma liquidez maior”, explica o engenheiro agrônomo.

Interferências climáticas

A estiagem que se prolongou até o começo desta semana foi benéfica para o início da colheita de trigo no Norte Pioneiro. Na segunda-feira à tarde, começou uma chuva de pequena intensidade em vários pontos da região e muitos produtores mantiveram as máquinas no campo enquanto o tempo permitiu.

Ontem de manhã, alguns produtores ainda insistiam, mas a chuva, apesar de fraca, não permitia a colheita, que deve ser retomada hoje à tarde ou amanhã cedo.

O técnico do Deral diz que a estiagem, neste momento, favorece a colheita, que acontece em um ritmo mais acelerado, e mesmo uma chuva sem muita intensidade nos próximos dias não irá comprometer a qualidade e o volume de produção. ”As condições climáticas proporcionam ótimas condições de colheita no Norte do estado, o que ajuda a colher o produto não apenas com rapidez mas também com qualidade”, afirma o técnico do Deral


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