07/08/2012 às 09h19min - Atualizada em 07/08/2012 às 09h19min

Projeto de renascimento da PM decreta “morte” de batalhões especializados

Em documentos, Polícia Militar revela intenção de extinguir estruturas de comando da Patrulha Escolar, da Força Verde e da Polícia Rodoviária Estadual

gazetadopovo.com.br

 

 configuração de toda a Polícia Militar do Paraná está a caminho de sofrer alterações drásticas. A Gazeta do Povo teve acesso a documentos que revelam estar em curso a criação de comandos regionais e a extinção dos batalhões de Polícia Ambiental, Patrulha Escolar e Polícia Rodoviária Estadual. O comando-geral da PM confirma a intenção de instituir cinco companhias independentes – que teriam como sedes as cidades de Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel e cujos comandantes seriam responsáveis por toda a tropa que atua na região –, mas nega que esteja em vias de extinguir os batalhões de polícias especializadas. Por enquanto, não há data para as mudanças.

O projeto ganhou o nome de “Renascimento da Polícia Militar” e é, na prática, uma forma de aumentar o efetivo no combate à chamada criminalidade geral sem fazer novas contratações. Em tese, os policiais que atuam em áreas especializadas continuarão desempenhando as mesmas atividades, mas os comandantes regionais terão a prerrogativa de colocar, por exemplo, policiais da Patrulha Escolar para auxiliar no atendimento a ocorrências gerais.

O Batalhão de Polícia Ambiental que hoje corre o risco de ser extinto já exerceu pioneirismo nacional: foi a segunda estrutura do tipo a ser criada no Brasil, ainda na década de 50. Na época, prevaleceu a percepção de que havia resistência armada no conflito florestal, que os ilícitos ambientais estão relacionados a outros crimes e que, portanto, era necessária uma estrutura com força policial. Desde a criação da unidade de polícia especializada, o efetivo oscilou entre 300 e 600 policiais.

O comandante-geral da PM, coronel Roberson Bon­­daruk, argumenta que hoje há uma disparidade regional na quantidade de policiais em comparação com o número de habitantes (veja infográfico). “A polícia não cresceu na mesma proporção em que a população do local onde atua”, pondera. Ainda não se sabe como se dará o remanejamento de efetivo entre as regionais.

Bondaruk assegura que as polícias militares especializadas são essenciais e que, ao invés de terem o efetivo diminuído, precisariam de reforços. Ele afirma que serão instituídas diretorias para garantir que os policiais especializados não sejam simplesmente remanejados de função e desguarneçam áreas essenciais – como o controle das estradas estaduais, a prevenção de problemas no ambiente escolar e o combate aos crimes ambientais – sem justificativas dos comandantes regionais.

Porém, a criação de tais diretorias não está prevista no documento que propõe os comandos regionais. A criação dos comandos regionais seria uma exigência de duas leis de 2010 que versam sobre a organização da PM do Paraná. Para fazer frente às despesas com 54 cargos e promoções nos comandos regionais seriam necessários R$ 188 mil mensais.


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