20/10/2011 às 10h27min - Atualizada em 20/10/2011 às 10h27min

Combatentes líbios capturam ditador Muammar Gaddafi em Sirte, afirmam líderes do novo governo

UOL
O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, foi capturado em Sirte, afirmaram autoridades do governo interino do país, segundo informações das agências BBC e CNN. Segundo líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT), não há como confirmar se o ex-líder do país está vivo ou morto. Alguns relatos dizem que Gaddafi está ferido, mas ainda vivo, enquanto outros afirmam que o ditador morreu após confronto.

No entanto, o site de uma televisão pró-Gaddafi, a Al-Libya, desmentiu nesta quinta-feira "a captura ou a morte" do líder deposto.

"As informações espalhadas pelos lacaios da Otan sobre a captura ou a morte do irmão dirigente Muammar Gaddafi não têm fundamento", indicou a televisão, afirmando que ele goza de "bom estado de saúde".

Segundo os líderes do governo interino, Gaddafi teria sido ferido. “Ele foi capturado e está ferido nas duas pernas”, afirmou Abdel Majid, um dos líderes do Conselho Nacional de Transição, à agência Reuters. “Gaddafi foi levado por uma ambulância”, acrescentou.

Mohamed Leith, outro líder do CNT citado pela agência AFP afirmou, no entanto, que o ditador está “gravemente ferido”.

Já o comandante Abdel-Basit Haroun, do CNT, disse que Gaddafi teria sido atingido na cabeça por um tiro, durante confronto, e morrido. Seu corpo estaria sendo levado a Misrata.

Segundo o depoimento de um rebelde líbio para a agência Reuters, Gaddafi estava escondido em um buraco em Sirte e quando foi encontrado começou a gritar "não atirem, não atirem".

A Otan afirmou que está checando os relatos sobre a captura de Gaddafi e que ainda não confirma as informações.

O governo dos Estados Unidos também informou que ainda não tem condições de confirmar a notícia de Gaddafi tenha sido capturado ou morto.

A informação da captura do ex-ditador foi divulgada logo após a tomada de Sirte, cidade natal de Gaddafi e último reduto de forças leais a ele, pelos rebeldes líbios.

O Conselho Nacional de Transição também informou que o ministro da Defesa do regime deposto, Abu Bakr Younus Jabr, foi morto em Sirte. O médico Abdou Raouf afirmou ter "identificado o corpo de Jabr", levado na manhã desta quinta-feira para o hospital de campanha da cidade.

Entenda o conflito

Os confrontos na Líbia começaram em 15 de fevereiro deste ano, quando 2.000 manifestantes protestaram em Benghazi contra a prisão de um ativista de direitos humanos e contra os governantes corruptos.

Apesar da repressão, os rebeldes líbios conseguiram a simpatia da comunidade internacional. Em 17 de março, um mês após o início dos conflitos, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a resolução 1973, que permite que os países aliados à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) interviessem e tomassem “todas as medidas necessárias” para proteger a população civil.

A medida deu espaço para que os países da Otan, especialmente os EUA, o Reino Unido e a França, iniciassem bombardeios aéreos contra Trípoli e outras cidades como Benghazi e Misrata.

Ao mesmo tempo, começa o isolamento internacional de Muammar Gaddafi. Muitos países já reconhecem o Conselho Nacional de Transição (CNT) como órgão legítimo do governo na Líbia.

Os nove meses de confrontos causaram muitos prejuízos para o país: milhares de pessoas morreram nos combates entre rebeldes e o governo; estima-se que, desde o início do conflito, mais de 1,2 milhão de pessoas tenha deixado a Líbia, criando uma crise humanitária. Muitos dos refugiados líbios se dirigiram à Lampedusa, ilha na Itália.


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