13/07/2011 às 17h50min - Atualizada em 13/07/2011 às 17h50min

Fruto de dinheiro público, estádio do Corinthians é confirmado pela Fifa na Copa do Mundo de 2014

Obra vai consumir recursos dos paulistanos e pode nem ficar pronta a tempo

R7
A Fifa confirmou nesta quarta-feira (13) que o futuro estádio do Corinthians, no bairro de Itaquera, será um dos palcos da Copa do Mundo de 2014, mas não garantiu que o local receberá a abertura. O projeto será construído com dinheiro de isenção fiscal dos paulistanos e ainda navega sobre muitas dúvidas quanto à viabilidade financeira, os impactos na região e o cronograma de obras. O órgão máximo do futebol emitiu uma nota em seu site oficial afirmando que aceitou as garantias financeiras para a construção do estádio e disse “estar equacionada a última questão em relação a financiamento dos estádios para a competição em 2014”, embora muitas dúvidas ainda pairem sobre o projeto. O Fielzão, como ficou popularmente conhecido o estádio corintiano, será construído no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista. O orçamento previsto para a obra, que deve ficar pronta no fim de 2013 ou no início de 2014, é de aproximadamente R$ 820 milhões. No início de julho, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a concessão de incentivos fiscais no valor de R$ 420 milhões para a construção do estádio. Especialistas ouvidos pelo R7 disseram que a prática se constitui no emprego de dinheiro público na obra. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, alvo de inúmeras denúncias de corrupção e autoritarismo, afirmou que o empenho do Alvinegro e das instâncias governamentais paulistanas foi fundamental para que o projeto fosse aprovado pela Fifa. - Essa aprovação em tempo recorde é fruto do empenho do Corinthians e do poder público de São Paulo, em especial do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Gilberto Kassab. Com a aprovação dos R$ 420 milhões na Câmara, os incentivos fiscais representam grande parte do investimento para a construção. Além do dinheiro público, outros R$ 400 milhões devem ser levantados com empréstimo do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). O processo foi agilizado após visita de Andrés à Câmara Municipal no dia 21 de junho. O Projeto de Lei 288/2011 foi lido no plenário na terça-feira (21) e encaminhado no mesmo dia à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para avaliação, que aprovou o documento na quarta-feira (29), mesmo dia da primeira votação. Dois dias depois, o pacote foi aprovado na segunda votação. O R7 ouviu especialistas em finanças públicas, que afirmam que esse tipo de incentivo é dinheiro público. Com esse valor de R$ 420 milhões, seria possível construir 787 unidades de saúde, de acordo com dados do Ministério da Saúde, ou então 420 creches ou mesmo cem escolas de ensino fundamental, segundo a Secretaria Municipal de Educação. Também pegou mal o fato de o Corinthians ter feito, nesta terça-feira (12), uma oferta pelo argentino Carlos Tevez no valor de R$ 80 a 90 milhões, mas ter buscado na política o incentivo fiscal que privará os paulistanos de obter melhorias na infraestrutura local. Manobra para tirar o Morumbi da Copa Até dois anos atrás, ninguém tinha dúvidas de que o Morumbi seria o estádio paulista na Copa de 2014. O São Paulo, dono do Morumbi, fez um primeiro projeto, e depois de receber novas instruções da Fifa, preparou o segundo desenho, que previa até cobrir o estádio. O custo da reforma era de R$ 256 milhões. Naquela ocasião, Ricardo Teixeira e o então presidente Lula foram até o estádio e entraram em campo para anunciar que o novo Morumbi reunia as condições para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil. Hoje, a promessa, que foi testemunhada por Andrés Sanchez, virou foto na parede. No ano seguinte, tudo mudou. O motivo: o São Paulo apoiou Fabio Koff para o Clube dos 13, irritando Ricardo Teixeira. A partir de então, o estádio do Tricolor passou a ser bombardeado pela CBF. O comitê brasileiro fez novas exigências, o que dobraria o custo da reforma. O São Paulo não aceitou, e o Morumbi ficou fora da Copa. Com o estádio são-paulino fora de cogitação, Ricardo Teixeira “convocou”, em 27 de agosto de 2010, o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, e o então governador do Estado, Alberto Goldman, para uma reunião, na qual propôs que o estádio corintiano, clube administrado por seu aliado Andrés Sanchez, fosse a sede paulista da Copa. A partir daí, o Corinthians correu para viabilizar a construção da obra e contou com a intermediação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fechar contrato com a construtora Odebrecht, responsável por tocar a obra. A falta de garantias financeiras e a presença de dutos da Petrobras no terreno onde o estádio está sendo erguido atrasaram a obra. Com a incerteza, São Paulo foi excluída da Copa das Confederações, competição que acontece um ano antes do Mundial e serve como um evento-teste.
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