26/04/2011 às 10h03min - Atualizada em 26/04/2011 às 10h03min

Rio precisará de mais de 100 mil novos profissionais de hotelaria e serviços até 2016

Uol.com
O setor de turismo e serviços do Rio de Janeiro vai precisar de aproximadamente 100 mil novos profissionais até 2016. A proximidade da Copa e dos Jogos Olímpicos está aumentando o fluxo de turistas na cidade. Este ano são esperados 5,5 milhões de visitantes, 10% a mais que no ano passado, de acordo com a Embratur. Um dos maiores desafios é capacitar os profissionais da área para atender a demanda crescente do setor. MOTÉIS VIRAM SOLUÇÃO PARA RIO-2016 Os motéis do Rio de Janeiro arrumaram uma maneira de faturar com os Jogos Olímpicos de 2016. Como a cidade ainda sofre com a falta de quartos de hotéis para receber os turistas que assistirão às Olimpíadas, os "ninhos de amor" se transformam para receber os visitantes. Leia Mais “Com o crescimento acelerado da economia brasileira, há escassez de mão de obra em todos os setores, na hotelaria não seria diferente”, explica Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) no Rio. “A demanda por profissionais qualificados está aumentando no Rio. Vamos precisar de gente que esteja preparada para lidar com os turistas”. Segundo dados do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), hoje há mais de 16 mil profissionais de hotelaria formalmente empregados. Só para os 17 novos hotéis que estão previstos para os próximos anos serão criados nove mil novos empregos. O segmento de alimentação emprega hoje pouco mais 100 mil pessoas e vai precisar dobrar a força de trabalho até 2016. “A gastronomia e a hotelaria são setores de inclusão”, explica Pedro de Lamare, presidente do SindRio. “Cerca de 20% da nossa força de trabalho está no seu primeiro emprego. É necessário montar projetos de qualificação para estes jovens.” O SindRio tem realizado plantões de inclusão profissional nas comunidades pacificadas do Rio. Uma equipe do sindicato vai até bairros como Cidade de Deus, Vidigal, Chapéu Mangueira e Borel e promove um cadastramento de currículo de moradores. Alguns são diretamente encaminhados a entrevistas de emprego. O SindRio também tem uma área de cursos com 40 opções que vão desde as posições chamadas de porta de entrada para o mercado, como garçom, camareira e auxiliar de cozinha, até cursos de especialização para pessoas já empregadas. A Prefeitura do Rio também desenvolve projetos de capacitação de mão de obra, como o Cidadão Olímpico, que oferece cursos de garçom, barman, camareira e guia de turismo, além de aulas de informática e inglês. Os módulos têm duração de sete meses e as primeiras turmas, que vão começar em março, têm 256 alunos no total. Para o Sindicato dos Trabalhadores e Profissionais de Turismo do Rio (Sintur), dimensionar o problema pensando apenas em 2014 e 2016 é um erro. “Há uma série de eventos prévios à realização da Copa e da Olimpíada”, ressalta a presidente Rosa Gonçalves. “Hoje há um verdadeiro buraco negro no setor. O profissional de turismo tem que saber lidar com o público, ter uma boa bagagem cultural e dominar idiomas. Atualmente, por exemplo, menos da metade dos profissionais fala uma língua estrangeira.” Nos programas gratuitos de capacitação, desafio é evitar a evasão O “Olá, Turista!” é uma ferramenta gratuita de ensino de idiomas. O programa é uma parceria do Ministério do Turismo (MTur) com a Fundação Roberto Marinho. Com mais de 80 mil inscritos nas 12 cidades-sedes da Copa, oferece cursos on-line de inglês e espanhol a profissionais ligados ao turismo e serviços. O custo total do programa, bancado pelo MTur, supera os R$ 17 milhões. O maior desafio é fazer com que os alunos concluam os cursos. “Muita gente que começou acabou abandonando o curso por achá-lo muito rápido e puxado”, explica Erik Vienezes, encarregado de reservas de um hotel de Salvador (BA). “É um curso voltado para quem já tem uma noção básica do inglês. Mas foi uma experiência bastante útil para mim, pois o programa é dinâmico, criativo e reproduz situações que eu vivo no meu dia-a-dia.” A manauara Noême Cavalcante reclama de problemas técnicos no programa. “Estou tendo dificuldades para terminar o meu curso de espanhol”, conta. ”Não consigo carregar algumas lições”. Os problemas são confirmados por Erik Vienezes. “Demorei quase dois meses para fazer a prova final, porque dava muito erro. Depois de muita insistência e reclamação, eu consegui concluir o curso”, explica o baiano, que, apesar das dificuldades, considera o curso bem organizado e útil. Para driblar a evasão, foi lançado o Desafio Cultural. A cada mês, todos os alunos que completam os módulos podem concorrer a prêmios como netbooks, pendrives, dicionários trilíngues e mochilas. Para isso, precisam escrever uma frase contando como o programa fez diferença nas suas vidas. O autor da melhor frase da cada uma das 12 cidades-sede é premiado. Segundo a assessoria de comunicação do “Olá, Turista!”, a porcentagem de alunos que já concluíram o curso ainda “está sendo fechada”.
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