03/03/2011 às 15h17min - Atualizada em 03/03/2011 às 15h17min

Ganso quer Taça Libertadores e Copa América em quatro meses

Meia santista, que se prepara para voltar aos gramados, afirma que sonha com conquistas na América e em não deixar a Seleção de Mano Menezes

Globo Esporte
Aos 21 anos, Paulo Henrique Ganso não costuma perder a linha, algo comum entre os jovens da sua idade. O camisa 10 do Santos, que está em fase de retorno aos treinos com bola depois de ter operado o joelho esquerdo em agosto do ano passado, é meticuloso nas suas respostas e dificilmente muda o tom de voz. O estilo sério, no entanto, não o afasta dos fãs. Enquanto conversava com o GLOBOESPORTE.COM nas cadeiras sociais da Vila Belmiro, ele dividia a atenção com as pessoas que visitavam o estádio alvinegro, distribuindo acenos e simpáticos sorrisos. Sempre seguro nas suas palavras, Ganso - que se classifica como "um cara zen e de bem com a vida" - falou sobre seu relacionamento com o torcedor santista, sua imagem perante o público e o retorno ao Peixe. Ele disse ainda que sonha conquistar a Taça Libertadores da América e retornar à Seleção Brasileira para a disputa da Copa América, marcada para julho na Argentina, troféu que também quer ter no currículo. E tudo isso nos próximos quatro meses. E afirmou, sem medo de errar: - Paulo Henrique Ganso está voltando melhor ainda. GLOBOESPORTE.COM: Como ficou o seu relacionamento com a torcida depois desse imbróglio por uma revisão no contrato? Paulo Henrique Ganso: Nunca me olharam diferente. Sempre me trataram com carinho e respeito. É claro que o pensamento deles é o que for melhor para o clube. Eles sempre falam: “Pelo amor de Deus, só não saia do Santos!” (risos). Mas é o respeito e o carinho que ganhei por todo meu esforço. Muito se falou sobre uma possível saída sua para o Corinthians. Houve alguma conversa? (Nota da redação: A empresa que detém 45% dos direitos sobre ele ofereceu o jogador ao Corinthians. Foi uma forma de pressionar a diretoria santista a dar o aumento pretendido pelo meia) Não teve proposta nenhuma. Também não tem como eu sair do Santos para jogar no Corinthians, o maior rival. O Santos está no meu coração. É o time que eu amo, em que jogo com prazer e alegria. Isso não iria acontecer, não. E como acha que ficou a sua imagem depois de, mesmo estando em recuperação de lesão, discutir termos do contrato? Está bem conservada, estou tranquilo. As coisas estão começando a se ajustar novamente. Já estou superando também a contusão para retornar. Aí, sim, o torcedor vai ver que estou voltando. Você parece sempre muito tranquilo em campo, um jogador que não perde a cabeça. Como controla a parte emocional? Isso faz parte da minha personalidade. Sou um cara calmo, tranquilo, sei manter o controle, apesar de ver que as coisas nem sempre são fáceis. Por ser meia, estou sempre tomando porrada, empurrão... Então, às vezes até dá na cabeça de perder o controle. Mas graças a Deus tenho o perfil de um cara calmo, tranquilo. Por isso tenho paciência de manter o controle no jogo. Posso dizer que sou um sujeito zen, de bem com a vida. Você deve voltar a jogar pelo Santos em meados de março. Sente que tem a responsabilidade de colocar o time novamente nos trilhos? Desde o ano passado, já mostrei que estou sempre disposto a assumir grandes responsabilidades. O torcedor pode ter certeza que o Paulo Henrique Ganso está voltando melhor ainda. Você tem planos de jogar na Europa logo? Meu plano maior é voltar a jogar. Depois, quero a Libertadores, que é o meu maior sonho, e a Copa América. Agora, ir para fora do Brasil é o sonho de todo jogador. Mas eu penso que, se tiver de sair, que seja naturalmente. Não tem uma data: daqui a dois, três ou um ano. Que seja naturalmente e sem briga. Que seja bom para mim e para o Santos. Tem predileção por algum tipo de futebol na Europa? Não tenho preferência, mas sempre gostei da Itália, do Campeonato Espanhol também, e do Inglês. Também assisto ao futebol alemão. Mas não tenho preferência. Gosto de todos. Cada um tem seu estilo. E como surgiu sua amizade com o Leonardo, técnico do Inter de Milão? Conversamos sempre, e ele me passa bons conselhos. Ele buscou meu telefone, quis conversar comigo. Fiquei surpreso e feliz, pois é um técnico de um grande time, já foi diretor de outro grande time (Milan). É muito bom saber que ele gosta do meu futebol. Quais são seus planos de conquistas para os próximos meses? Penso que a Libertadores é o sonho maior que quero conquistar, por ser um campeonato difícil e poder levar o Santos à disputa do Mundial (em dezembro no Japão). Isso me deixaria marcado na história do clube. E a Copa América, que é com a Seleção Brasileira, lugar para o qual quero voltar e nunca mais sair. Para você foi fácil vestir a camisa da Seleção? Não é tão fácil (risos), mas foi devido ao fato de o Mano (Menezes, técnico da Seleção) ter me dado toda a liberdade. Ele nos deixou bem à vontade e disse para usarmos a camisa como se fosse a melhor do mundo. Durante este período de recuperação, você teve algum contato com o Mano? Sente-se seguro para voltar à Seleção? Tenho de me sentir seguro. Não tive contato com o Mano, mas ele mandava força e abraços pelo Neymar. Tenho de me sentir seguro, voltar a jogar em alto nível para retornar à Seleção. Como funciona a relação da sua família com o seu trabalho? Meu irmão e meu pai são meus contadores. Minha irmã é advogada, e minha mãe toma conta da parte da alimentação. Cada um faz sua parte, e a palavra final é minha. Dizem o que acham, e buscamos o comum acordo. É saudável, é sempre bom ter a família ao lado. É bom ter todos por perto. E como controlar para que não aconteça com você o mesmo que com o Ronaldinho Gaúcho? O irmão dele, Assis, foi colocado como um vilão nas negociações com Grêmio e Palmeiras... O Ronaldinho teve três propostas de times grandes. Só que não é fácil tomar uma decisão em uma hora ou um dia. Isso demora. Por isso também que as pessoas falaram que o Assis era o culpado. Mas, na verdade, não é isso. Tinha de esperar o irmão decidir e ver o que era melhor, onde queria mostrar o seu futebol. Você está namorando. Já pensa em casamento? Casamento está nos planos. Já faz um ano e quatro meses que estamos juntos, então já tem um tempo. Espero que esse casamento possa sair em breve.
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