04/05/2010 às 09h28min - Atualizada em 04/05/2010 às 09h54min

Mães destrocam bebês em Goiânia 1 ano após nascimento

Foto: Renato Conde/O Popular/Agência Estado
As mães que tiveram os bebês trocados após o parto em Goiânia (GO), em março de 2009, desfizeram o erro do hospital na tarde desta segunda-feira, durante audiência na Vara da Infância e Juventude, antes mesmo da Justiça se manifestar sobre o caso. A vendedora Keila Celina dos Santos Fagundes, 22 anos, esperava um processo mais lento, argumentando que seria melhor para a adaptação dos bebês. No entanto, ela foi convencida pela dona de casa Elaine Gomes de Oliveira, 28 anos, a fazer a destroca o quanto antes.

Keila precisou voltar para casa para buscar o bebê, mas, segundo seu advogado, Fabiano Dias, concordou com a explicação da outra mãe. "Elas já vinham se encontrando desde que a troca foi confirmada por exame de DNA. Já é o quinto encontro e a relação delas tem sido muito boa, uma afinidade muito grande. Então a minha cliente concordou em fazer a destroca hoje", disse.

O advogado Gil Alberto Resende e Silva, que defende a dona de casa, afirmou que a iniciativa partiu de sua cliente, que entendeu que quanto antes ocorresse a destroca menos traumático seria para as crianças - ambas do sexo masculino.

"Se demora mais, a criança cresce e vai ficando mais difícil. E apesar de cada mãe ter ficado agora com seu filho biológico, não quer dizer que vai perder o contato com o outro bebê. Elas estão combinando como vão agir a partir de agora. Vão continuar se vendo e se falando", disse.

Hoje, o juiz Maurício Porfírio, da Vara da Infância e Juventude, anulou o registro de nascimento das crianças. A dona de casa, que mora com o marido em Terezópolis, a 33 km de Goiânia, já decidiu que vai mudar o nome do seu filho biológico. Keila pretende manter o do seu.

Os advogados dizem que os bebês não estranharam muito suas respectivas mães biológicas, pois as duas já estavam se preparando para a destroca. "As duas mães estão se dando bem, o ex-marido da minha cliente também esteve presente, então tudo está caminhando para que as crianças passem por um processo menos traumático possível", disse Fabiano.

De acordo com Gil, sua cliente deve se mudar para Goiânia em breve, para que as duas mães possam continuar mantendo contato com ambos os bebês. A destroca ocorreu com muito choro e comoção, mas, segundo os advogados, de alívio também.

O caso
Apesar da troca ter ocorrido no dia 25 de março de 2009, o caso só começou a ser investigado em abril deste ano, depois que Keila apresentou denúncia à polícia. A mãe dela pagou um exame de DNA por causa das humilhações que filha sofria acusada de traição, já que o bebê não se parecia nem com ela nem com o pai. Alguns meses após o parto, o marido de Keila pediu o divórcio. Mesmo assim, a jovem teria continuado a ser alvo de ataques verbais de familiares, do ex-marido e até em seu local de trabalho.

Uma equipe multidisciplinar da Vara da Infância e Juventude dará apoio para as mães e às crianças. Três técnicas de enfermagem que trabalham no estabelecimento na época da troca serão indiciadas pelo crime de substituição de recém-nascido, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena para este crime pode chegar a seis anos de prisão.

De acordo com a delegada Adriana Accorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), as ex-funcionárias do hospital cometeram uma série de irregularidades, o que pode caracterizar dolo eventual.

Os advogados vão esperar a conclusão do inquérito para entrar com processo por indenização por danos morais contra o Hospital Santa Lúcia, no Setor Campinas.

Fonte: noticias.terra.com.br

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