27/04/2010 às 11h17min - Atualizada em 27/04/2010 às 11h17min

Desabrigados esperam vistoria de casas em área de risco 20 dias após tragédia em Niterói

Moradores também se dizem desanimados com demora do Aluguel Social

Foto por Fábio Motta/Agência Estado/AE
Moradores de áreas de risco e desabrigados em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, dizem que, 20 dias após os deslizamentos de terra que mataram 168 pessoas na cidade, ainda não tiveram suas casas vistoriadas pela Defesa Civil tampouco receberam o benefício do Aluguel Social.

As comunidades da Garganta, do Viradouro e da Igrejinha, localizadas em área de risco no bairro de Santa Rosa, reclamam que a Defesa Civil não apareceu na região e, por isso, eles não receberam laudo que condena ou aprova as moradias - sem o documento, os moradores não têm como receber o benefício do Aluguel Social. O laudo funciona como um comprovante de que a pessoa vive em área de risco ou teve a casa atingida por deslizamentos.

No morro do Maceió, onde a Defesa Civil e a prefeitura já vistoriaram e demoliram casas, os moradores se queixam que a ação se restringiu apenas a uma parte da comunidade, mesmo existindo pontos de deslizamento em outros locais do morro.

Nenhum serviço de assistência foi oferecido aos moradores da Garganta, do Viradouro, da Igrejinha e do Maceió, e eles então passaram a buscar ajuda sozinhos. A maioria já se cadastrou no Aluguel Social e recebeu um protocolo de vistoria do Cras (Centro de Referência da Assistência Social 5). Entretanto, esses documentos não garantem o laudo, emitido somente após a visita da Defesa Civil, e, por isso, o único remédio é esperar.

A aposentada Maria Luisa Sepúlveda, que ainda mora na comunidade da Garganta, foi nesta segunda-feira (26) ao Cras pela terceira vez para saber se havia alguma novidade em relação ao seu processo.

- Eles (funcionários do Cras) falaram que nós temos que esperar, mas não disseram por quanto tempo. A gente só preenche cadastro e não recebe nenhuma resposta, não falam nada concreto.

Os funcionários do Cras 5, no Badú, onde os moradores da região do largo da Batalha (Igrejinha, Viradouro e Garganta) e da comunidade Maceió foram se cadastrar, dizem que os cadastros são repassados à Secretaria de Assistência Social de Niterói.

Segundo a Prefeitura de Niterói, as vistorias e a emissão dos laudos estão sendo feitos por cinco equipes da Defesa Civil. Por meio de sua assessoria, a prefeitura informou que a procura é muito grande, mas disse que todas as áreas serão vistoriadas.
Ainda de acordo com a prefeitura, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, se reunirá nesta semana com o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, e com a prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset, para definir o valor do Aluguel Social, que em seguida começará a ser distribuído para os moradores já credenciados.

Aluguel de casas
Mesmo sem saber quanto e quando vão receber o Aluguel Social, alguns moradores já começaram a procurar casa para alugar. Entretanto, eles não encontram casas próximas de onde viviam e, quando acham, o aluguel está o dobro do que costumava ser. A diarista Michele Fideles procurou lugares perto de sua casa no Viradouro, em Santa Rosa.

- Ali na [comunidade] Santa Maria, o aluguel era R$150. Agora, está uma média de R$ 350, e ainda tem que pagar água e luz. Não posso pagar isso. Estou quase voltando para casa mesmo rachada.

O pizzaiolo Antonio Leite, morador da comunidade do Maceió que está abrigado na Escola Estadual Leopoldo Fróes, no largo da Batalha, procurou casa em Ititioca, mas não encontrou. A única casa que achou foi na própria comunidade a R$ 380 o aluguel, mas quando resolveu alugá-la , a casa já tinha sido locada.

Fonte: R7

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